Trump agradece a Merz por "ajuda" da Alemanha com o Irã
Em visita a Washington, premiê alemão cita desejo comum de se livrar do regime em Teerã. Berlim tem evitado críticas à guerra de EUA e Israel contra o Irã.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, na Casa Branca nesta terça-feira (03/03) para conversas, em meio à guerra de EUA e Israel contra o Irã e à subsequente alta nos preços do petróleo.
Trump agradeceu à Alemanha por permitir o acesso de forças americanas a bases no país em apoio aos ataques no Irã, mas ressaltou que os EUA não estavam pedindo que a Alemanha fornecesse tropas.
"Eles estão nos permitindo desembarcar em certas áreas, e nós agradecemos, eles estão apenas tornando tudo mais confortável", disse Trump, aproveitando a oportunidade para criticar Reino Unido e Espanha, acusando-os de não serem tão cooperativos.
Merz, por sua vez, disse que a Alemanha e os Estados Unidos compartilham o desejo de se livrar do atual regime iraniano. "Estamos em sintonia em termos de acabar com este regime terrível no Irã."
Trump elogiou Merz, dizendo que "ele está fazendo um ótimo trabalho [...], um trabalho realmente excelente". O republicano enfatizou que o chanceler era um "homem muito, muito bem-sucedido" e que se tornou um amigo seu.
Merz claramente tentava persuadir Trump a discutir planos de longo prazo para o Irã. "Precisamos traçar estratégias para toda essa região", afirmou. Ele enfatizou a importância de uma "abordagem comum" que inclua a segurança dos EUA, da Europa e de Israel.
O premiê alemão também demonstrou preocupação com os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a economia. "É evidente que está prejudicando as nossas economias. Isso vale para os preços do petróleo e também da gasolina. É por isso que todos esperamos que esta guerra termine o mais rapidamente possível", disse. "E esperamos que os exércitos israelense americano tomem as medidas necessárias para pôr fim a esta situação e instalar um novo governo que restaure a paz e a liberdade".
Motivos conflitantes para o início da guerra
Trump destacou os extensos danos causados ao Irã pelos ataques americanos e israelenses, e negou que Israel o tenha forçado a iniciar a guerra.
"Praticamente tudo foi destruído", disse Trump ao lado de Merz no Salão Oval da Casa Branca.
O governo americano apresentou razões conflitantes para justificar a ação militar no país do Oriente Médio. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que Washington decidiu agir somente após ter conhecimento de que Israel iria atacar. Trump, porém, disse que agiu para impedir que o Irã lançasse um ataque primeiro.
"Com base na forma como a negociação estava caminhando, acho que eles iriam atacar primeiro. E eu não queria que isso acontecesse", disse o americano. "Então, se alguma coisa aconteceu, talvez eu tenha forçado Israel a agir."
O presidente dos EUA também enfrentou críticas pela aparente falta de um plano para o Irã após o conflito, e admitiu não ter certeza de como a situação se desenrolaria depois.
"Acho que o pior cenário seria fazermos isso e alguém assumir o poder, tão ruim quanto o anterior, certo?", disse Trump, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do Irã, morto em ataques aéreos no primeiro dia do conflito.
Ele também usou a recente repressão violenta aos protestos no Irã como justificativa para a guerra.
Trump disse que duas ondas de ataques EUA-Israel contra o Irã mataram figuras que ele considerava potenciais novos líderes do país, e acrescentou que houve um novo ataque "substancial" a uma reunião onde seria escolhida a nova liderança.
"A maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta", disse Trump. "Agora temos outro grupo. Eles também podem estar mortos, com base em relatos."
Ucrânia ainda é "prioridade", diz Trump
Questionado sobre a guerra na Ucrânia, Trump disse que o tema era uma prioridade "muito alta", mas admitiu ter ficado surpreso com a dificuldade de encontrar uma solução para o fim do conflito. "Achei que seria uma das mais fáceis", disse ele a repórteres antes de repetir a falsa alegação de que já havia resolvido oito guerras em seu segundo mandato.
Sobre as negociações de um cessar-fogo entre a Ucrânia e a Rússia, Trump disse que "às vezes culpo um, às vezes culpo o outro", mas foi enfático ao afirmar que um acordo de paz seria alcançado.
Chanceler evitou criticar guerra no Irã
Merz vem se esforçando para manter as boas relações que construiu com Trump ao longo do último ano, auxiliado pela iniciativa da Alemanha de aumentar seus gastos com defesa.
Isso, no entanto, exigirá uma diplomacia delicada, dadas as preocupações europeiassobre a legalidade dos ataques ao Irã à luz do direito internacional, e as preocupações com a ameaça de Trump de impor novas tarifasa parceiros comerciais.
Nos últimos dias, Merz se esquivou de criticar os ataques dos EUA ao Irã, ao mesmo tempo em que evitou endossar uma operação que, segundo críticos de Trump, foi realizada sem o respaldo legal previsto pelo direito internacional.
O chanceler deixou Berlim rumo a Washington enquanto a Alemanha e a França anunciavam planos para aprofundar a cooperação em dissuasão nuclear, outra medida dos vizinhos europeus para se adaptarem às mudanças na relação transatlântica em meio às ameaças contínuas da Rússia e aos temores quanto a uma instabilidade gerada pelo conflito com o Irã.
Ele foi o primeiro líder europeu a visitar Washington após os ataques ao Irã, que resultaram no bloqueio de uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo e mergulharam o transporte aéreo global no caos, e na esteira da decisão da Suprema Corte de que as tarifas emergenciais de Trump são ilegais.
rc/ra (AFP, Reuters, DPA, Lusa)