"Todo o Líbano deveria queimar", diz ministro da Segurança Nacional de Israel
Discursos agressivos de membros do governo de Israel contra o Líbano complicam as negociações diplomáticas de paz dos Estados Unidos
Quatro soldados israelenses morreram em território libanês devido à explosão de um dispositivo militar do Hezbollah. O acontecimento gerou uma reação imediata e feroz por parte de integrantes da ala de ultradireita do governo de Israel. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, recorreu às redes sociais para manifestar sua indignação e pedir uma retaliação severa contra o país vizinho. Em sua manifestação pública na rede social X, o ministro defendeu uma punição coletiva drástica. Ele escreveu que "para cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas deveriam chorar". O político demonstrou total crueza ao completar sua linha de raciocínio afirmando textualmente que "todo o Líbano deveria arder".
Essa postura reflete a pressão contínua que o ministro exerce nos bastidores para que a liderança do país intensifique as operações militares, incluindo incursões e bombardeios na capital libanesa, Beirute. Essa posição de confronto aberto surge em um momento delicado, especialmente porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem atuado nos bastidores diplomáticos para obrigar a administração israelense a reduzir a intensidade dos seus ataques na região.
על כל דמעה של אמא ישראלית, אלף אמהות לבנוניות צריכות לבכות. לבנון כולה צריכה לבעור!
עם כל הכבוד לאמריקאים, ישראל חייבת להבהיר לעולם כולו שדם בנינו וביטחון אזרחנו איננו הפקר. לבנון כולה צריכה לבעור. חובתנו העליונה היא להגן על אזרחי ישראל ועל חיילי צה״ל, והמחויבות הזו קודמת לכל…
— איתמר בן גביר (@itamarbengvir) June 19, 2026
Ministros exigem respostas militares duras no Líbano
Mesmo diante das tentativas de contenção vindas de Washington, os setores mais radicais do gabinete de Israel mostram resistência em seguir os conselhos do principal aliado ocidental. O responsável pela pasta da Segurança Nacional deixou claro que a autonomia do seu país está acima das alianças internacionais.
O ministro declarou de forma enfática que "com todo o respeito aos americanos, Israel precisa deixar claro para o mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão em jogo". O sentimento de revolta e o desejo de vingança institucional foram compartilhados por outros membros do alto escalão do governo. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que também integra a ala de extrema-direita, usou termos igualmente pesados para descrever a situação atual. O economista classificou o início do dia como uma "manhã difícil" e utilizou seus canais oficiais para conclamar a realização de greves punitivas imediatas no território libanês.
Em sua postagem na rede social X, o ministro das Finanças declarou de maneira incisiva que "é hora de falar com fogo", complementando que o momento exige "de abrir os portões do inferno". Enquanto os discursos se inflamam nas redes e nos gabinetes, as forças armadas israelenses continuam ocupando uma vasta faixa de território localizada no sul do Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçou que o país manterá a presença militar nessa área estratégica por tempo indeterminado e deixou claro que não tem intenção de se retirar.
Processo de paz sofre entraves após novas hostilidades
A escalada verbal e militar trouxe consequências imediatas para o tabuleiro diplomático global. O governo do Irã decidiu congelar as conversações que mantinha com os norte-americanos. As autoridades iranianas solicitaram garantias formais de que as hostilidades e os ataques em solo libanês cessarão em definitivo antes que o país aceite retomar as negociações bilaterais agendadas para ocorrer na Suíça. Um diplomata com conhecimento direto dos bastidores informou à CNN os detalhes desse impasse.
Segundo a fonte diplomática, "os iranianos solicitaram garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão, conforme estipulado no acordo assinado". O funcionário explicou ainda que "os mediadores estão trabalhando para resolver a questão" de forma urgente. A mesma fonte descreveu as negociações planejadas como "temporariamente suspensas em decorrência dos ataques israelenses no Líbano", sem estipular um prazo ou data específica de quando os mediadores esperam retomar os diálogos internacionais.
Esse recuo acontece em um momento em que a relação entre Washington e Tel Aviv enfrenta desgastes públicos significativos. Na quinta-feira anterior ao ocorrido, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, teceu duras críticas aos políticos e cidadãos israelenses que se posicionam contra o pacto firmado com os iranianos. O vice-presidente norte-americano sublinhou que Donald Trump é o único aliado verdadeiro da nação israelense. O discurso funcionou como uma forte repreensão pública, lembrando os bilhões de dólares em ajuda militar anual que o país do Oriente Médio recebe diretamente do tesouro americano.
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