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NotCo recebe aporte de US$ 235 mi e se torna novo 'unicórnio' da América Latina

Startup chilena produz alimentos com base de plantas; com os novos recursos, o plano é expandir operação e baratear produtos

26 jul 2021 14h06
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O mais novo unicórnio da América Latina é chileno e tem fome de mercado. A NotCo, empresa de alimentos a base de plantas, anuncia nesta segunda-feira, 26, que recebeu um aporte de US$ 235 milhões liderado pela Tiger Global. Com o investimento, a NotCo atinge o status de "unicórnio" (avaliação de US$ 1 bilhão) e pretende levar seus produtos para mais países nos próximos anos.

Também participaram da rodada grandes nomes como o heptacampeão de Fórmula 1 Lewis Hamilton e o vencedor de 20 Grand Slams de tênis Roger Federer. O investimento Série D já estava no radar da empresa, mas foi fechado antes do previsto - Ciro Tourinho, diretor da NotCo no Brasil, afirma que esperava receber o investimento entre o final de 2021 e o início de 2022. A meta, porém, já estava estabelecida há muito tempo pela startup: expandir.

"O principal objetivo da companhia é retirar os animais da equação. Esse investimento vai servir para turbinar a nossa expansão geográfica para vários outros países e também dentro dos que estamos presentes. No Brasil, nossa operação é focada no estado de São Paulo e, a gente sabe, o Brasil não é só São Paulo. O aporte também serve para financiarmos o crescimento para outros estados do Brasil", afirma Tourinho ao Estadão.

Com foco na produção local, a startup também mira países da Europa e da Ásia - a empresa tem hoje operação na América Latina e, recentemente, começou a operar nos Estados Unidos.

Crescimento

Os alimentos da NotCo são produzidos com a ajuda de Giuseppe, um algoritmo responsável pela "tradução" de receitas com ingredientes de origem animal para seus equivalentes vegetais. Foi dele que saíram produtos hoje comercializados pela NotCo, como carnes, leite, sorvete e maionese. Foi um mercado que se abriu principalmente pelo trabalho das pioneiras americanas Impossible Foods e Beyond Meat.

O crescimento também vai passar pela inclusão de novos produtos. Com cinco itens no portfólio, Tourinho afirma que é uma prioridade da empresa levar mais produtos ao mercado. No Chile, a startup lançou recentemente a carne moída vegetal, que deve chegar também no Brasil.

"Uma coisa é criar receitas dentro da cozinha, outra é conseguir colocar isso em escala industrial. O que a gente tem feito é criar, dentro das nossas cozinhas, outras fórmulas. O que eu posso antecipar é que vamos trabalhar cada vez mais os produtos que já temos e os seus derivados: leite, ovos, cárnicos. Várias fórmulas estão quase prontas para o mercado", explica.

Com o investimento, a NotCo também pretende aumentar a quantidade de matéria prima produzida localmente, nos países em que opera. Para a fabricação dos alimentos da marca, a maioria da matéria prima ainda é importada, o que tem impacto não só na cadeia de suprimentos, mas também no preço final na prateleira do supermercado, que é mais alto se comparado aos produtos comuns - um leite e uma maionese da NotCo custam a partir de R$ 15 e R$ 12, respectivamente.

Por enquanto, a diminuição do valor para o consumidor passa pela revisão das embalagens de cada item. É uma solução a curto prazo, segundo a empresa. "Temos tentado trabalhar a questão da acessibilidade. Às vezes, isso é possível no curto prazo com uma embalagem um pouco mais acessível em preço. Entendendo as embalagens que temos e as que podemos entregar, conseguimos reduzir o preço. Estamos trabalhando nisso e na questão da produção local", afirma o diretor da NotCo no Brasil.

*É estagiária, sob supervisão da repórter Giovanna Wolf

Estadão
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