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Fundada por brasileiros no Canadá, Sherwa quer ajudar jogador a achar companhia

Com conselheiros como Ariel Lambrecht e Nilce Moretto, startup já atingiu mais de 150 mil usuários em busca de uma dupla ou um time para jogar junto em games como Fortnite e Counter-Strike

10 dez 2020
05h10
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Antigamente, ser um fã de videogames significava ficar um tempão jogando sozinho no quarto. Hoje não é mais assim: jogos online não só abrem a possibilidade, mas às vezes até exigem que certas missões e tarefas sejam feitas em grupo. Nem todo mundo, porém, tem facilidade para achar bons parceiros para os games. É de olho nessa "quest" (missão, no jargão dos games) que a startup Sherwa, criada por três brasileiros no Canadá, quer atacar: lançado em julho deste ano, o app da empresa acumula já 165 mil usuários registrados e gerou 680 mil partidas.

O aplicativo tem um sistema de funcionamento bem simples: quem busca um parceiro para jogar uma partida de jogos como Fortnite, Free Fire ou Counter-Strike tem duas opções. A primeira é criar um grupo com o convite específico - como liberar tal missão ou arranjar parceiros para uma partida em configurações determinadas. A outra é procurar propostas que façam sentido dentro da lista de anúncios. A diferença do Sherwa para outras redes que são focadas em games, como Discord, é que o app é direcionado para quem busca uma companhia - o que facilita a vida do usuário.

Todos os jogadores têm perfis que, assim como no Uber, contém comentários e avaliações, a fim de evitar experiências ruins. "Tem muitos jogos que têm uma comunidade tóxica e nós queremos evitar isso", diz Pedro Vasconcellos, diretor de marketing da startup. Antes de criar a startup, ele trabalhava nos bastidores do canal BRKsEDU, veterano dos games no YouTube brasileiro. Já os sócios Luiz Persechin e André Gross, por sua vez, vêm do mercado financeiro e de game design, respectivamente.

O trio, que mora no Canadá, criou a empresa no final de 2018 e já atraiu US$ 1 milhão em duas rodadas de investimento anjo. Além disso, cativou a atenção de nomes importantes do mundo dos games e da inovação - a empresa tem como conselheiros a youtuber Nilce Moretto, o empreendedor Ariel Lambrecht (de 99 e Yellow, além de investir em startups como Boomerang, Kovi e Mottu) e o empresário Guga Mafra, conhecido pela Amazing Pixel e o podcast GugaCast.

Além de permitir que os jogadores achem parceiros, a Sherwa também tem uma área em que iniciantes podem contratar aulas ou sessões com quem já tem mais habilidade em um jogo. É daí que vem o nome da empresa, inclusive: sherwa é uma forma alternativa de falar sherpa - o nome dado aos guias que ajudam aventureiros a escalar montanhas como o Everest. "Nossa ideia era criar algo parecido com o Uber no universo dos games, para quem, por exemplo, quer aprender a jogar Fortnite para se divertir com o sobrinho mas não tem tempo de explorar o jogo sozinho", conta Persechin. Nesse caso, uma sessão de uma hora pode custar a partir de R$ 30, mas o valor aumenta conforme o tempo e também a especialidade do jogador-guia.

Uma terceira funcionalidade do app da Sherwa, por sua vez, é direcionada ao mercado de influenciadores: com ajuda do sistema da startup, youtubers podem organizar maneiras de jogar com seus fãs, em transmissões em tempo real. Além de aproximar fã e criador, a ferramenta também permite que influenciadores faturem com suas transmissões - tal como num parque de diversões, um fã pode pagar para "passar na frente" na fila de espera. A Sherwa, por sua vez, cobra uma comissão sobre o pagamento.

A empresa também fatura com compras dentro de seu app, com retratos personalizados e com comissões sobre as aulas dadas pelos guias. "Sabemos que também podemos ganhar com publicidade, mas neste momento estamos focando na experiência, não queremos poluir o app", diz Persechin. "E também estamos de olho em um modelo para empresas, já que temos os dados sobre como as pessoas jogam os games delas."

Atualmente, a empresa tem, além dos três fundadores, mais 13 pessoas, espalhadas entre São Paulo, Belo Horizonte e Vancouver. Com os resultados neste 2020, a Sherwa já começou a conversar com fundos para fazer sua rodada de investimento-semente. "Queremos avançar rápido porque sabemos que dá para ser lucrativo em dois anos, mas para isso precisamos de bons parceiros", diz Persechin.

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Estadão
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