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Ex-Yellow cria startup Davinci e quer vender patinetes elétricos por até R$ 7,5 mil

Empresa comandada por Eduardo Musa aposta na micromobilidade para o pós-pandemia e inaugura primeira fábrica de patinetes elétricos do mundo fora da China

29 jul 2021 17h06
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Buscando criar um novo mercado no Brasil, a startup Davinci quer vender patinetes elétricos diretamente para o consumidor a partir de setembro deste ano, com preços de até R$ 7,5 mil. Criada por Eduardo Musa, que era da Caloi e fundou a Yellow em 2018, a empresa aposta que o "novo normal" do pós-pandemia não irá incluir o compartilhamento de veículos nas ruas por meio de aplicativos, como era comum até 2020, e que será retomada a discussão da micromobilidade, com trajetos curtos feitos por meios de transporte que não os automóveis.

Musa deixou a Yellow pouco antes de a statup se unir com a mexicana Grin, tornando-se a Grow — hoje, a companhia está em recuperação judicial depois de declarar falência, após meses consecutivos de prejuízos durante 2020.

"Eu tento há 20 anos resolver o mesmo problema da mobilidade no Brasil, que é a congestão urbana e o tempo que as pessoas perdem em deslocamentos", explica Musa sobre sua insistência no setor, que despontou inicialmente no País com nomes como Uber e 99. Sabendo das dificuldades que a categoria de bicicletas e patinetes enfrenta para ganhar escala - a exemplo da própria Yellow -, a Davinci optou por iniciar as operações somente na cidade de São Paulo por meio de e-commerce direto com o consumidor final, fornecendo oficinas de manutenção e pós-venda.

Davinci aposta que a micromobilidade, de trajetos curtos, ganhará maior adesão após a pandemia
Davinci aposta que a micromobilidade, de trajetos curtos, ganhará maior adesão após a pandemia
Foto: Divulgação/Davinci / Estadão

A companhia terá dois tipos de patinetes, o modelo de entrada DV1 (R$ 5,5 mil) e o topo de linha DV2 (R$ 7,5 mil). O primeiro tem autonomia para cerca de 25 km percorridos, enquanto o segundo aguenta 35 km (os valores podem variar dado o peso do motorista, a aceleração usada e a topografia da região) e traz outros diferenciais, como suspensão e base maior de apoio.

Além disso, a Davinci pretende fazer a montagem dos patinetes na Zona Franca de Manaus, onde já se produzem as motocicletas e bicicletas do País. As peças, incluindo a bateria de lítio que irá eletrificar o veículo, serão importadas. Segundo a companhia, será a primeira fábrica de patinetes elétricos do mundo fora da China.

A aposta do empresário, agora, é convencer os usuários que já se movimentaram por patinetes no passado a comprar os veículos. Ao contrário da bicicleta, o patinente, bastante utilizado como brinquedo por crianças, é visto como um modal de fácil manuseio, que pode ser levado em outros meios de transporte, como metrôs, ônibus ou porta-malas de carros. "A pandemia mostrou que é sadio morar perto do local de trabalho, gastando menos dinheiro e menos tempo. Esse é o novo normal", explica Musa.

Criar mercado

Musa reconhece os desafios que os patinetes têm em São Paulo, onde ficaram conhecidos como diversão de "faria limers" durante a hora do almoço na vida antes do novo coronavírus. Além disso, enquanto o carro possui vagas para estacionar, postos de combustíveis e seguradoras, outros modais carecem de soluções desse tipo.

A Davinci pretende advogar pela causa da micromobilidade, buscando parcerias para viabilizar seguros contra roubo de patinetes, promover a criação de ciclovias e ciclofaixas e carregadores elétricos ao longo da cidade. "O ecossistema para o veículo a combustão precisa ser desenvolvido para a micromobilidade", explica o executivo.

No longo prazo, a Davinci planeja fornecer patinetes para empresas que queiram criar pequenas frotas, como para entregadores parceiros de aplicativos como iFood e Rappi. Outra ideia é exportar esses veículos para os Estados Unidos e outros países.

"Estamos começando com o patinete elétrico para venda direta com o consumidor, mas somos uma empresa de soluções de produtos de microbilidade", diz Musa.

Sem fundos de investimento

Ao contrário da maior parte das startups, a Davinci foi criada sem a participação de fundos de investimento e foi levantada com R$ 10 milhões de capital próprio de Musa e dos sócios James Scavone, da agência Salve, e João Ludgero, também ex-Caloi e ex-Yellow.

"A gente optou em não começar com fundo de investimento. É como vender a alma ao diabo porque a empresa se dilui. Então, procuramos uma liberdade e margem de manobra maior, já que temos os recursos para investir", conta o CEO.

No futuro, no entanto, a Davinci pode receber aportes de fundos para acelerar o crescimento da startup.

Estadão
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