Taxa básica de juros cai ao menor nível da história
Após pressões de sindicatos, empresários e políticos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou um ciclo de redução da taxa básica de juros do País em janeiro deste ano na tentativa de reativar a economia frente a crise econômica. Em julho, a Selic caiu ao menor patamar desde que foi criada em 1999, a 8,75% ao ano.
Na primeira reunião do Copom do ano, em janeiro, a Selic foi reduzida de 13,75% ao ano para 12,75% ao ano, depois de 16 meses sem reduções. Em março, caiu para 11,25% ao ano, com nova redução em abril para 10,25%. Em junho houve um novo corte de 1 ponto percentual para 9,25% ao ano e em julho o comitê reduziu o ritmo, com uma queda de 0,5 ponto percentual para 8,75% ao ano.
Com os cortes, o Brasil, que liderou por um bom tempo o ranking das maiores taxas de juros reais do mundo, caiu para a quarta posição, com 4,3% ao ano. Segundo o último levantamento da consultoria econômica UpTrend, a taxa real de juro (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses) colocou o Brasil atrás da China (6,6%), Argentina (5%) e Malásia (4,5%).
Em setembro, o Copom decidiu pela manutenção dos juros básicos, e o mesmo aconteceu na reunião seguinte. Em outubro, o comitê avaliou que esse patamar "é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".
O BC usa a Selic para controlar a inflação e cabe à autoridade monetária perseguir a meta de inflação. A taxa básica remunera os títulos públicos depositados do Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de parâmetro para o custo do dinheiro nas operações de empréstimo entre bancos. Por consequência, também influencia a taxa cobrada dos consumidores que pegam dinheiro de instituições financeiras.
Quanto menor a Selic, mais interessante para os bancos é emprestar ao consumidor e esperar o recebimento de juros maiores, do que comprar títulos do governo, que são garantidos, mas pagam menos. A queda da taxa básica reduziu a rentabilidade dos fundos de renda fixa, que investem em títulos públicos, equiparando-os à poupança.
Com medo de perder investidores para financiar a dívida do País, o governo federal cogitou até taxar os rendimentos da poupança com Imposto de Renda, mas diante das críticas o projeto não saiu do papel. Embora a queda não reflita diretamente no crédito ao consumidor, as taxas de financiamento e empréstimo chegaram ao nível mais baixo em quase 15 anos - movimento fomentado pelos bancos públicos.
Os analistas aguardam agora alguma sinalização de quando deve começar um ciclo de elevação da Selic. Economistas consultados pelo Banco Central projetam uma taxa de até 10,5% no final de 2010.