STF recebe 3 mil pedidos de público para acompanhar julgamento do golpe
Mais de 500 jornalistas e 3 mil pessoas do público se credenciaram para acompanhar, em Brasília, o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe. O processo começa na próxima terça-feira (2) e será conduzido pela Primeira Turma da Corte.
O caso mobiliza atenções dentro e fora do País. Ao longo de setembro, os ministros vão analisar as denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete ex-integrantes de seu governo, acusados de articular uma organização criminosa para mantê-lo no poder e barrar a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quem poderá assistir ao julgamento?
O STF informou que 3.357 pessoas solicitaram ingresso para acompanhar as sessões, marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. No plenário da Segunda Turma haverá 150 lugares reservados ao público, enquanto jornalistas terão acesso a 80 cadeiras na sala da Primeira Turma, em ordem de chegada.
O colegiado que vai conduzir o processo é formado pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
Na etapa de interrogatórios, realizada em junho, os acusados negaram qualquer ação golpista. Declararam que não houve movimento concreto para impedir a posse de Lula e classificaram a acusação da PGR como injusta.
Reforço na segurança
O tribunal terá esquema especial de segurança desde o início da semana. A medida também se deve à proximidade do feriado de 7 de setembro, considerado de atenção máxima pelas autoridades.
A Polícia Militar do Distrito Federal fechará a praça dos Três Poderes na segunda (1º). No dia seguinte, equipes da tropa de choque, do Bope e do Comando de Operações Táticas estarão mobilizadas, além de cães farejadores em varreduras preventivas.
Agentes da polícia judicial de Brasília e de outros estados também atuarão, e o acesso ao prédio do STF só será permitido após revista com detector de metais. O tribunal manterá comunicação direta com a Secretaria de Segurança do DF.
Clima político
Em prisão domiciliar, Bolsonaro ainda não confirmou se comparecerá ao julgamento. Seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foi criticado por Lula ao incentivar, nos Estados Unidos, retaliações do governo americano contra o Brasil.
O ex-presidente norte-americano Donald Trump, aliado de Bolsonaro, anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e classificou o julgamento como "caça às bruxas". Além disso, sanções foram aplicadas ao ministro Moraes e a outros integrantes da Corte.
Nesta quinta, a revista The Economist destacou o julgamento como exemplo internacional. A capa traz montagem de Bolsonaro vestido como um dos invasores do Congresso dos EUA em 6 de janeiro de 2020, quando apoiadores de Joe Biden e Trump se enfrentaram na disputa pela presidência americana.