Status nuclear da Coreia do Norte é "inegociável", diz irmã de Kim
Kim Yo Jong, influente irmã do líder norte-coreano, afirma que retórica dos EUA sobre desnuclearização é um "sonho anacrônico". Kim Jong-un promete reforçar arsenal nuclear do país e ampliar a produção de mísseis.Kim Yo Jong, a influente irmã do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, disse que o status de seu país como potência nuclear é "absolutamente inegociável", segundo relatos divulgados neste domingo (07/06) pela agência de notícias estatal norte-coreana KCNA.
Em declarações feitas às vésperas da visita oficial do presidente da China, Xi Jinping, ao país, Kim Yo Jong, de 38 anos, afirmou que o programa nuclear é "uma linha sem recuo e uma dura realidade, quer alguém a reconheça ou não".
A alta funcionária do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte rejeitou os esforços internacionais contra o programa nuclear de seu país e afirmou que as forças hostis ao regime deveriam "abandonar o sonho de 'desnuclearização'".
Nesta quinta-feira, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou à agência de notícias sul-coreana Yonhap que Washington permanece aberto ao diálogo com Pyongyang "sem pré-condições" e continua comprometido com a completa desnuclearização da Coreia do Norte.
Desnuclearização é "sonho anacrônico"
Kim Yo Jong reagiu às declarações do porta-voz afirmando que "alguns funcionários nos Estados Unidos não conseguiram despertar de seu sonho escapista e anacrônico". Ela garantiu que Pyongyang expandirá seu arsenal nuclear de forma constante, mesmo diante das ameaças lideradas por Washington.
"A afirmação dos EUA de questionar o status da RPDC [acrônimo para República Popular Democrática da Coreia - nome oficial do país] como um Estado com armas nucleares não tem força legal vinculativa e ninguém estará obrigado pela retórica unilateral dos EUA", sublinhou.
Ela descartou como "informação falsa" um anúncio dos EUA segundo o qual o presidente Donald Trump e Xi Jinping confirmaram o objetivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte em cúpula realizada em Pequim no mês passado.
A China e a Coreia do Norte mantêm laços políticos estreitos. Os dois países estão ligados por um tratado de defesa mútua, sendo este o único acordo desse tipo que a China possui com outra nação.
Kim Jong-un quer ampliar produção de mísseis
A Coreia do Norte tem se concentrado em ampliar seu arsenal nuclear desde o colapso, em 2019, da diplomacia de alto risco entre Kim Jong-un e Trump . Segundo especialistas, o líder norte-coreano busca reconhecimento internacional de seu país como um Estado nuclear, a fim de exigir o levantamento das sanções econômicas internacionais.
Durante uma visita a uma nova fábrica de produção de materiais nucleares na semana passada, Kim disse que a Coreia do Norte reforçaria suas forças nucleares "a uma taxa exponencial". Neste domingo, a imprensa estatal norte-coreana informou que ele visitou uma fábrica de armas no dia anterior e pediu um aumento de 2,5 vezes na capacidade de produção de mísseis do país ao longo de um período de cinco anos.
O regime norte-coreano está sujeito a sanções da ONU há cerca de duas décadas em razão de seu programa de armas nucleares. Recentemente, China e Rússia bloquearam novas medidas punitivas contra o país no Conselho de Segurança da ONU. Eles também impediram a prorrogação do mandato de um painel de especialistas da ONU que vinha monitorando a implementação das sanções.
O programa nuclear norte-coreano é visto pelos Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão como uma ameaça direta à segurança regional e internacional. Pyongyang, no entanto, afirma que seu arsenal nuclear é necessário para defender o país contra ameaças externas.
rc (AP, AFP)
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