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Silvinei 'disse muita merda, policiamento direcionado', revela agente sobre reunião pré 2º turno

Mensagens encontradas no celular do policial rodoviário federal Adiel Pereira Alcântara abastecem representação da Operação que levou ex-diretor-geral da PRF à prisão

9 ago 2023 - 16h12
(atualizado às 19h13)
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Silvinei Vasques
Silvinei Vasques
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

Além dos relatórios sobre redutos eleitorais de Lula e das planilhas de operação da Polícia Rodoviária Federal no 2º Turno, os investigadores da Operação Constituição Cidadã abasteceram o pedido de prisão do ex-diretor-geral Silvinei Vasques com mensagens que trataram, onde dias antes do segundo turno, de ações concentradas no Nordeste e 'policiamento direcionado' na região.

Os diálogos foram extraídos do celular do policial rodoviário federal Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de análise de inteligência da PRF. Ele prestou depoimento à PF em dezembro de 2022. Os investigadores, no entanto, viram contradições na versão dada pelo agente. Assim, apreenderam seu celular para confrontar a narrativa.

Como mostrou o Estadão, o mesmo ocorreu com Naralúcia Leite Dias, ex-chefe do serviço de análise de inteligência da PRF. Segundo a PF, tanto ela como Adiel 'faltaram e/ou omitiram a verdade'. As condutas foram citadas como 'reverência' dos agentes a Silvinei, o que serviu de argumento para o pedido de prisão do ex-chefe da PRF.

A conversa que mais chamou atenção da PF ocorreu em 29 de outubro, às vésperas do segundo turno, entre Adiel e um outro policial rodoviário federal, Paulo César Botti Alves Júnior, subordinado ao primeiro. Segundo a PF, Adiel critica a conduta de Silvinei, diz que ele teria falado 'muita merda' nas reuniões de gestão, 'notadamente, ao que parece, determinando "policiamento direcionado"'.

Quem é Silvinei Vasques e quais as acusações contra o ex-diretor da PRF Quem é Silvinei Vasques e quais as acusações contra o ex-diretor da PRF

Para os investigadores, o diálogo corrobora provas 'que indicam as ações policiais visando dificultar ou mesmo impedir eleitores de votar'.

Em outra conversas encontrada pela PF no celular de Adiel, o interlocutor era o então diretor de inteligência da PRF, Luís Carlos Reischak Júnior. O diálogo se deu em 19 de outubro, mesmo dia em que, segundo Silvinei, foi realizada uma reunião do Conselho Superior da Polícia Rodoviária Federal sob o pretexto de votar uma resolução acerca da prática de educação física. Na reunião, estavam diretores, superintendentes e todos os coordenadores gerais e foi proibido o uso de celulares.

Segundo os investigadores, a conversa entre Adiel e Reischak indica 'orientação de uma ação ostensiva a ser realizada no dia 30 de outubro (segundo turno), chamando a atenção um trecho no qual mencionam abordagens de "ônibus que levam passageiros de São Paulo para o Nordeste"'.

Estadão
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