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Bolsonaro diz que fim do marco temporal causaria inflação

Sem evidências, presidente também afirma que o fim do marco provocaria desabastecimento; segundo especialistas, essas previsões não existem

15 set 2021 13h09
| atualizado às 13h32
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01/06/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino
01/06/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Em mais um ataque ao fim do marco temporal para demarcação de terras indígenas, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a medida, em análise pelo Supremo Tribunal Federal irá provocar mais inflação de alimentos e pode causar desabastecimento inclusive internacional, apesar de não haver evidências que confirmem essas afirmações.

Em um evento no Palácio do Planalto voltado ao programa de habitação 'Casa Verde e Amarela', Bolsonaro afirmou que a demarcação de novas terras indígenas, a partir de uma possível derrubada do marco temporal – a rejeição da ideia de que os indígenas deveriam estar na terra reivindicada em 1988, data da aprovação da Constituição – pelo STF seria um "duro golpe" para o agronegócio no país.

"Se o Brasil tiver que demarcar novas reservas indígenas, conforme previsão do Ministério da Agricultura, o equivalente a mais 14% do território nacional, o preço do alimento vai disparar e podemos ter no mundo desabastecimento", disse o presidente.

Especialistas apontam que as duas previsões usadas por Bolsonaro não existem.

Ambientalistas e defensores dos direitos indígenas afirmam que as áreas indígenas atualmente reivindicadas e que poderiam ser demarcadas caso seja rejeitada a tese do marco temporal têm uma extensão bem menor do que aponta Bolsonaro, além de garantir a proteção de florestas e rios.

Em relação a um suposto desabastecimento, o diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento, Sergio De Zen, já contradisse o presidente ao projetar que o agronegócio brasileiro deve continuar crescendo, mas com base em aumento de produtividade, e não em expansão de terras.

De Zen afirmou ainda que é possível crescer a área plantada usando o mesmo território, investindo em ações como segundas safras de milho e soja e integração com a floresta, usando tecnologia e métodos modernos.

O julgamento em andamento no STF deve ser retomado nesta quarta-feira (15). Até agora, apenas o relator, Edson Fachin, apresentou seu voto, contrário à manutenção do marco temporal. Ainda precisam votar outros nove ministros.

Bolsonaro faz críticas constantes à demarcação de terras indígenas e paralisou os processos de áreas ainda não homologadas desde que assumiu o governo. Além disso, defende a liberação das terras indígenas para a exploração econômica, seja para agricultura comercial por parte dos indígenas, seja para o garimpo de metais preciosos.

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