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Seca força países europeus a desacelerarem usinas nucleares

30 jul 2026 - 12h41
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Baixo nível histórico do rio Danúbio, o segundo maior do continente, afeta resfriamento de usinas, navegação e turismo na Europa Oriental em verão excepcionalmente quente.A Hungria e a Romênia reduziram drasticamente a produção dos seus reatores nucleares devido ao fluxo insuficiente de água do rio Danúbio, que atinge níveis historicamente baixos. O corte na usina de Paks, localizada a 120 quilômetros ao sul da capital húngara, Budapeste, chegou a 50% em um dos reatores nesta quinta-feira (30/07).

Seca histórica no rio Danúbio, o segundo maior da Europa, ocorre em meio a calor intenso
Seca histórica no rio Danúbio, o segundo maior da Europa, ocorre em meio a calor intenso
Foto: DW / Deutsche Welle

A instalação opera quatro reatores de fabricação russa com capacidade combinada de dois gigawatts. A produção já havia sido reduzida em 254 megawatts no reator um na segunda-feira. O reator três também sofreu redução dois dias depois.

A água do Danúbio é vital para os sistemas de resfriamento das usinas nucleares. Ele é o segundo maior rio da Europa, com 2.857 quilômetros de extensão.

Mais abaixo no curso do rio, na Romênia, um dos dois reatores da usina nuclear de Cernavodă, a 160 quilômetros a leste de Bucareste, foi desligado no início desta semana. O Ministério da Energia romeno planejava desligar o segundo reator da usina nesta quinta-feira, devido a uma "evolução desfavorável das condições hidráulicas".

Em Budapeste, a autoridade nacional de recursos hídricos da Hungria mediu na manhã de quarta-feira o nível do Danúbio em 23 centímetros, muito abaixo da baixa histórica de 33 centímetros registrada em 2018.

Esses centímetros não correspondem à profundidade total do rio. Trata-se da leitura de uma escala hidrométrica instalada em um ponto de monitoramento. Quando o valor fica muito baixo, isso indica que o rio está com vazão reduzida e nível excepcionalmente baixo naquele local.

Tráfego interrompido no Danúbio

O tráfego fluvial, de embarcações de carga a cruzeiros turísticos, também foi interrompido.

Na Hungria, o baixo nível da água obrigou populares navios de cruzeiro, cujos passageiros normalmente desembarcam para passeios turísticos em Budapeste, a atracar mais acima no curso do rio. Já os navios de carga praticamente deixaram de operar, segundo o Ministério dos Transportes e Investimentos.

Na vizinha Romênia, o nível da água em trechos do Danúbio já está um metro abaixo do mínimo necessário para a navegação.

"Esta é uma situação excepcional", disse Adrian Maizel, da administração responsável pelo monitoramento do tráfego no Danúbio, acrescentando que trabalhos de dragagem estão em andamento para permitir a continuidade da navegação. "Estamos fazendo esforços para manter um canal navegável tanto quanto possível, ainda que mais estreito, para que a navegação não seja completamente bloqueada".

Na Bulgária, onde o Danúbio forma a fronteira com a Romênia, a polícia retirou na terça-feira 186 turistas de um navio de cruzeiro que havia encalhado perto da cidade portuária de Vidin.

Budapeste: base da Ponte Margarida exposta

A queda do nível da água também expôs as bases da famosa Ponte Margarida em Budapeste, onde as autoridades descobriram na semana passada uma bomba da Segunda Guerra Mundial.

"As rochas expostas, os bancos de areia secos ao redor dos pilares da ponte... é chocante ver como as coisas eram antes e como estão agora", disse o fotógrafo Gabor Kertesz na capital húngara. "Aonde isso vai nos levar? O que vai acontecer? Ainda não sabemos, mas isso deve ser resultado das mudanças climáticas".

A drástica redução do nível das águas do Danúbio em toda a Europa Oriental ocorre enquanto o continente enfrenta um dos verões mais quentes já registrados.

Na Sérvia, centenas de pequenas embarcações e dezenas de navios de carga ficaram retidos em margens secas próximas à cidade de Novi Sad, no norte do país, onde as águas do Danúbio recuaram até 20 metros em relação à margem habitual do rio.

"A temporada de verão acabou, pelo menos no que diz respeito aos passeios de barco", disse Radovan Segrt, proprietário de uma casa flutuante que realiza excursões pelo rio.

Alemanha vive nova onda de calor

Na parte oeste do continente, França e da Espanha enfrentam incêndios florestais sem precedentes, enquanto a Alemanha vive uma nova onda de calor. Segundo o Serviço Meteorológico Alemão (DWD), as temperatuas máximas podem ficar próximas dos 40 °C esta semana.

O Instituto Robert Koch (RKI), órgão federal alemão responsável pelo controle e prevenção de doenças, informou nesta quinta-feira que 9,8 mil pessoas morreram neste verão em decorrência de condições relacionadas ao calor, mais do que em qualquer ano completo desde 2016.

O RKI atribuiu mais de 5 mil dessas mortes à intensa onda de calor registrada na segunda quinzena de junho, quando os termômetros bateram os 40 °C em várias partes do país.

ht/le (AFP, AP, Reuters)

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