Relembre as operações policias mais letais do Brasil
A quantidade de mortes desta operação superou a do Massacre do Carandiru e a da Operação Escudo/Verão, e é quatro vezes maior que a da Operação Exceptis, no Jacarezinho, em 2021.
O registro de operações policiais com elevada contagem de mortes no Brasil inclui diversos eventos ocorridos em diferentes estados ao longo dos anos. A megaoperação no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) em 2025 estabeleceu um novo recorde de fatalidades no estado e no país.
Esta ação, realizada nessa terça-feira (28), resultou em mais de 120 mortes. O governo do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (29), confirmou um total de 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, sendo 4 policiais e 117 indivíduos descritos como suspeitos, conforme o secretário da Polícia Civil. O pesquisador associado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Alberto Kopittke, observou que a quantidade de mortes desta operação superou a do Massacre do Carandiru e a da Operação Escudo/Verão, e é quatro vezes maior que a da Operação Exceptis, no Jacarezinho, em 2021.
Segundo o g1, o evento com o maior número de mortes anterior a este novo registro foi o Massacre do Carandiru, em São Paulo, no ano de 1992. Em outubro daquele ano, após uma rebelião no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, a ação coordenada pela polícia resultou na morte de 111 presos que estavam rendidos, de acordo com o Ministério Público de São Paulo. Embora 74 policiais tenham sido condenados por 77 assassinatos, não houve registro de prisão efetiva dos condenados.
Outras ações com contagem significativa de óbitos incluem as Operações Escudo e Verão na Baixada Santista, em São Paulo. Estas operações, ocorridas entre julho de 2023 e abril de 2024, na sua fase conhecida como "segunda fase" da Operação Escudo, registraram um total de 84 mortes.
A Operação Exceptis, no Rio de Janeiro, em 2021, conhecida como Chacina do Jacarezinho, registrou 28 mortes. A ação, que visava o combate ao tráfico de drogas e aliciamento de menores, foi o registro de maior letalidade no estado fluminense na época de sua ocorrência.
Outros eventos de destaque em termos de letalidade no Rio de Janeiro e em outros estados incluem:
- Vila Cruzeiro - Complexo da Penha, Rio de Janeiro (2022): Uma operação conjunta da Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF), deflagrada para impedir suposta migração de traficantes para a Rocinha, resultou em 25 mortes.
- Vila Operária, Duque de Caxias, Rio de Janeiro (1998): 23 mortes em ação da Polícia Militar.
- Complexo do Alemão, Rio de Janeiro (2007): 19 mortes em megaoperação que envolveu mais de 1.300 policiais civis, militares e soldados da Força Nacional.
- Manaus, Amazonas (2019): 17 mortes em ação da Polícia Militar após denúncia sobre planos de ataque de facção, com o Ministério Público instaurando procedimento de acompanhamento.
- Senador Camará, Rio de Janeiro (2003): 15 mortes em operação policial, com a polícia alegando confronto, mas a Defensoria Pública do Rio de Janeiro relatando que pelo menos nove suspeitos foram mortos após rendição.
- Complexo do Alemão, Rio de Janeiro (1994): 14 mortes, após a morte de um chefe do tráfico.
- Fallet/Fogueteiro - Santa Teresa, Rio de Janeiro (2019): 13 mortes em operação policial.
- Morro do Vidigal, Rio de Janeiro (2006): 13 mortes em confrontos entre traficantes e o Batalhão de Operações Especiais (BOPE).
- Chacina da Mineira - Catumbi, Rio de Janeiro (2007): 13 vítimas fatais em confronto.
- Operação Castelinho - Itu e Sorocaba, São Paulo (2002): 12 mortes de indivíduos do Primeiro Comando da Capital (PCC), com o caso sendo analisado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2024.
- Complexo do Alemão, Rio de Janeiro (1995): 13 mortes em ação com participação de diversas forças.
- Chacina do Cabula, Salvador (2015): 12 mortes em ação da Polícia Militar da Bahia, com denúncia do Ministério Público por homicídio e anulação de sentença de absolvição.
- Chacina do Curió, Ceará (2015): 11 assassinatos, com condenação de oito réus policiais pelo Ministério Público do Estado do Ceará.
- Guararema, São Paulo (2019): 11 mortes em tentativa de roubo a bancos.
- Complexo do Salgueiro - São Gonçalo, Rio de Janeiro (2021): 10 mortes em operação da PM e BOPE após emboscada que vitimou um sargento.
- Paraisópolis, São Paulo (2019): 9 mortes em ação da PM, com a polícia alegando pisoteamento e versões alternativas sobre "emboscada" e uso de munições químicas.
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