Redescoberta de fóssil revela detalhes sobre o lendário tubarão gigante "Megalodon"
Fósseis perdidos às vezes reaparecem mas, em primeiro lugar, como é que esses espécimes somem dos museus e instituições onde deveriam estar a salvo?
Museus deveriam ser refúgios para o patrimônio cultural e científico coletivo do planeta, mas, às vezes, espécimes desaparecem.
Felizmente, eles também podem ser redescobertos, como mostra um novo estudo com as vértebras do lendário tubarão pré-histórico gigante conhecido mundialmente por seu antigo nome de Megalodon (agora corretamente denominado Otodus megalodon), que reapareceram em uma prateleira de museu décadas depois de terem sido aparentemente perdidas.
O novo estudo analisa novamente o tamanho e o crescimento desse tubarão gigante que viveu entre 15 milhões e 3,5 milhões de anos atrás. O estudo confirma estimativas anteriores de que esses animais poderiam ter mais de 24 metros de comprimento. Para contextualizar, mesmo os tubarões brancos mais exageradamente grandes da franquia cinematográfica "Tubarão" não passavam de 10,5 metros. Eram peixes realmente enormes.
O trabalho se baseia na análise de várias vértebras de 11 milhões de anos de idade, pertencentes a um único animal, encontradas na Dinamarca. Com exceção das mandíbulas e dos dentes, os esqueletos de tubarões são principalmente compostos de cartilagem, por isso fósseis de vértebras são raros e importantes. Em comparação com um dente, as vértebras fornecem uma indicação muito melhor do tamanho do animal, e estas são as maiores já conhecidas de qualquer O. megalodon (23 cm de diâmetro).
Achava-se que esses importantes espécimes tivessem sido destruídos durante uma mudança do Museu Geológico de Copenhague (hoje parte do Museu de História Natural da Dinamarca) para o Museu do Sul da Jutlândia, em 1989. Os registros científicos sobre eles se limitavam a fotos antigas e descrições. Algumas dessas vértebras foram agora resgatadas, aparentemente tendo ficado em uma prateleira sem serem reconhecidas por décadas. Isso possibilitou o novo estudo, que também estimou que um filhote de O. megalodon poderia ter 3,6 metros de comprimento e viver por quase um século.
Como se perdem fósseis valiosos?
Todo tipo de ação improvável e infeliz pode levar à perda de fósseis em museus.
O mais óbvio é que isso pode acontecer em tempos de conflito. A Segunda Guerra Mundial testemunhou a perda de fósseis de dinossauros em ambos os lados do conflito. Os espécimes originais do dinossauro com crista dorsal Spinosaurus foram destruídos em Munique por um bombardeio aliado em 1944. Antes disso, vários espécimes, incluindo partes do dinossauro primitivo Thecodontosaurus, foram destruídos em Bristol após um ataque das potências do Eixo em 1940.
Essas nem sequer foram as primeiras perdas causadas por ações inimigas em guerras internacionais. Em 1916, o navio canadense SS Mount Temple foi afundado por um navio alemão. Embora transportasse principalmente trigo, ele também levava uma carga de fósseis de dinossauros de Alberta, Canadá, para o Reino Unido. Os manifestos de carga são vagos, por isso nem sabemos quais dinossauros estavam a bordo.
Ações indiretas também poderiam ser problemáticas. Em 1941, os chineses tentaram transportar até 40 espécimes do "Homem de Pequim" (Homo erectus), o primeiro de nossos ancestrais a ter proporções semelhantes às dos humanos modernos, para os EUA a fim de tentar salvar valiosos fósseis de hominídeos primitivos das forças invasoras japonesas. Eles nunca chegaram ao destino e podem ter se perdido no mar depois que o navio em que estavam foi afundado. Mas também é possível que nem tenham chegado a embarcar.
Coisas também podem simplesmente se perder ou desintegrar. Um aparente dinossauro saurópode gigante semelhante ao Diplodocus foi batizado pelo paleontólogo norte-americano Ed Cope em 1877 como Amphicoelias fragillimus. Ele o descreveu a partir de uma única vértebra, incompleta, frágil, mas gigante.
Cope forneceu medidas diferentes da vértebra em ocasiões distintas, o que torna difícil determinar com precisão qual era realmente o seu tamanho. Quando ele faleceu, sua coleção foi vendida ao Museu Americano de História Natural. Mas o museu nunca conseguiu localizar esse espécime específico. Considerando o quanto ele era frágil, é possível que simplesmente tenha se desintegrado na prateleira e sido ignorado ou jogado fora.
Os museus também não estão imunes a perdas. Se você tem um número enorme de espécimes (o Museu de História Natural de Londres tem cerca de 80 milhões de objetos em sua coleção), é inevitável que alguns simplesmente se percam.
Já fui testemunha ocular de espécimes perdidos que reapareceram em um museu quando um colega avistou um crânio de dinossauro e um esqueleto de pterossauro na prateleira errada, como livros de biblioteca colocados no lugar errado. Além disso, há ações mais nefastas — já ouvi falar de pesquisadores que movem espécimes deliberadamente para o lugar errado para torná-los difíceis de encontrar, de modo que outros pesquisadores não possam examiná-los — e, ocasionalmente, itens são roubados das coleções.
Além disso, desastres naturais e acidentes podem apagar a história. O terremoto e o tsunami de Fukushima, em 2011, no Japão, causaram grandes danos ao museu de Iwaki, nas proximidades, com danos a alguns dos fósseis em seus acervos. E, em 2018, o Museu Nacional do Brasil, no Rio de Janeiro, foi destruído por um incêndio, resultando na perda de muitos espécimes fósseis que estavam em exposição.
Apesar de todos os exemplos citados aqui, os museus são, por natureza, locais seguros para espécimes. Existem milhões e milhões de fósseis mantidos em instituições ao redor do mundo há décadas e até mesmo séculos. É inevitável que acidentes ocorram e que pessoas mal-intencionadas causem perdas ocasionais. Felizmente, pelo menos em algumas ocasiões, esses espécimes reaparecem e nos proporcionam novas e empolgantes oportunidades de pesquisa.
David Hone não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.
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