Quem é Monique Medeiros, demitida pela Prefeitura do Rio cinco anos após a morte de seu filho Henry Borel
A decisão assinada pelo prefeito Eduardo Cavaliere oficializa o desligamento da rede municipal de ensino dois dias após a ré deixar a prisão
A Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro formalizou nesta data a demissão de Monique Medeiros de seu cargo na rede pública de ensino. A decisão foi publicada no Diário Oficial do município e encerra o vínculo da professora de educação básica que atuava na prefeitura desde 2010. O ato administrativo foi assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere e ocorre em um momento de reviravolta no processo judicial que envolve a morte do menino Henry Borel. A demissão é um desdobramento direto da situação funcional da servidora diante dos graves fatos apurados pela justiça fluminense nos últimos anos.
Demissão oficializada pelo prefeito Eduardo Cavaliere
O desligamento definitivo da professora aconteceu apenas dois dias após ela ganhar o direito de responder ao processo em liberdade. Monique estava detida desde 2025 e sua saída da prisão foi viabilizada por uma decisão da juíza Elizabeth Machado Louro. Ao analisar o pedido da defesa, a magistrada destacou que a manutenção da prisão preventiva naquele estágio não se sustentava mais legalmente. "Entendo que, diante de tal quadro processual, a custódia da ré já agora figura-se manifestamente ilegal, por excesso claramente despropositado de prazo na prisão", afirmou a juíza em sua fundamentação para o relaxamento da detenção.
Entenda o processo sobre a morte de Henry Borel
Monique e seu ex-companheiro, o ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Jairinho, respondem por crimes gravíssimos no tribunal. Eles são réus por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no caso que vitimou a criança de apenas 4 anos em 2021. De acordo com as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro, o menino apresentava sinais evidentes de agressão quando chegou ao hospital. Na ocasião, o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico, mas os laudos periciais desmentiram essa versão inicial apresentada aos médicos na Barra da Tijuca.
Detalhes técnicos e o novo cronograma do júri
Os exames realizados pelo Instituto Médico-Legal apontaram que Henry sofreu 23 lesões por ação violenta, incluindo hemorragia interna e laceração hepática. Além disso, uma reprodução simulada em modelagem 3D concluiu que os traumas eram incompatíveis com uma queda acidental. O julgamento do caso, que gera grande expectativa social, sofreu adiamentos recentes após a defesa de Jairinho abandonar o júri alegando falta de acesso a provas. Embora uma data inicial tenha sido ventilada para junho, o Tribunal de Justiça informou que a nova sessão deve ocorrer no dia 25 de maio. Até fevereiro deste ano, Monique ainda constava na folha de pagamento com salário líquido de R$ 2.887.