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Procurador-chefe do TPI arrisca perder cargo após acusação de assédio

9 jun 2026 - 13h36
(atualizado às 13h40)
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Tribunal Penal Internacional decidiu suspender Karim Khan e transferir aos países-membros a decisão sobre futuro do procurador. Afastado há mais de um ano, ele diz ser inocente.O órgão executivo do Tribunal Penal Internacional (TPI) decidiu nesta segunda-feira (08/06) suspender com efeito imediato o procurador-chefe, Karim Khan, e transferir aos países-membros a decisão sobre seu futuro, em um passo sem precedentes na instituição após quase dois anos de polêmica envolvendo acusações de conduta sexual inadequada.

Kahn ganhou fama após expedir mandados internacionais de prisão contra Netanyahu e Putin
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Foto: DW / Deutsche Welle

O britânico está afastado temporariamente de suas funções desde maio de 2025 e pretende retornar assim que as acusações forem resolvidas. Ele nega todas as acusações.

Em um comunicado divulgado ao final de uma reunião realizada em Haia, a Mesa da Assembleia dos Estados Partes do TPI (AEP) - órgão executivo e de coordenação - explicou que, por maioria qualificada, decidiu encaminhar o caso ao plenário dos 125 países membros do TPI. Mas frisou que a suspensão do procurador-chefe, até que seja tomada uma decisão final, "não é um indicativo do resultado final" do processo.

A medida representa um duro golpe para o procurador britânico, que até então defendia que as conclusões de um painel independente de especialistas jurídicos equivaliam à sua absolvição das acusações.

Agora, ele corre o risco de perder o cargo definitivamente, se a maioria dos membros do TPI concluir que as acusações configuram conduta grave incompatível com o cargo. O caso será avaliado em sessão extraordinária da Assembleia dos Estados Partes, a ser convocada "o mais rápido possível".

Denúncia de conduta sexual inadequada

A avaliação da Mesa, composta por 21 membros, baseou-se em um relatório do Escritório de Serviços de Supervisão Interna das Nações Unidas (ESSI), nas provas reunidas durante a investigação, no parecer de um painel de especialistas jurídicos e nas alegações apresentadas por escrito pelas partes envolvidas.

Tanto a decisão quanto a documentação analisada permanecerão confidenciais.

A decisão abre um novo capítulo em uma crise institucional que começou em abril de 2024, quando uma advogada que trabalhava diretamente sob a supervisão de Khan o denunciou. Ela acusou o promotor britânico de conduta sexual inadequada, de tê-la assediado repetidamente durante um longo período e de forçá-la a praticar atos sexuais.

Dois colegas da denunciante levaram inicialmente as acusações à direção do TPI, o que levou o mecanismo interno de supervisão a abrir uma investigação que foi encerrada poucos dias depois.

Meses mais tarde, o ESSI assumiu a investigação e elaborou um relatório que continua confidencial, embora, segundo vazamentos ocorridos nos últimos meses, a ONU tenha encontrado indícios que sustentariam as acusações. Ainda assim, o painel independente considerou que as provas disponíveis não permitem comprovar conduta inadequada dentro do padrão jurídico exigido.

Países em lados opostos

A coexistência dessas duas conclusões colocou os países membros do TPI em lados opostos durante meses: alguns defendiam que o caso deveria ser encerrado, enquanto outros sustentavam que as conclusões da ONU eram graves demais para arquivar o assunto sem uma resposta institucional.

A polêmica ocorreu em um contexto especialmente sensível para o TPI, já que as acusações contra Khan, de 56 anos, vieram à tona pouco depois de o procurador solicitar mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu ex-ministro da Defesa, Yoav Gallant, por crimes de guerra em Gaza. Como represália, os Estados Unidos impuseram sanções econômicas contra ele e proibiram sua entrada em território americano.

Israel pede revogação de mandado de prisão contra Netanyahu

Israel pediu revogação do mandado internacional de prisão contra Netanyahu, afirmando que a suspensão de Khan "prova que esta instituição está apodrecida até o núcleo", escreveu nesta terça-feira (09/06) no X o embaixador israelense na ONU, Danny Danon. "Agora é o momento de cancelar as acusações absurdas contra o primeiro-ministro Netanyahu!" afirmou.

Khan, que se afastou de suas funções em maio do ano passado enquanto aguardava as conclusões da investigação, denunciou repetidamente a existência de uma campanha destinada a afastá-lo do cargo devido às suas decisões judiciais.

Os EUA, a Rússia e Israel não fazem parte do TPI, que tem a incumbência de investigar e processar indivíduos suspeitos de cometer atrocidades graves, como crimes de guerra.

md/ra (EFE, DPA, AFP)

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