Testemunha afirma que funcionário tirou câmera de jovem que morreu após salto sem corda no interior de São Paulo
Equipamento usado por vítima que filmava o próprio salto não foi encontrado pela Polícia Civil
A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, registrava em vídeo o momento do salto quando acabou sendo lançada de uma ponte sem a corda de segurança durante uma atividade de rope jump, em Limeira (SP), no último sábado, 13. No entanto, a câmera usada por ela desapareceu após o acidente. De acordo com o relato de uma testemunha à TV Globo, um integrante da equipe responsável pelo salto teria retirado o equipamento enquanto a jovem já estava caída no chão.
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Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o pedagogo Rafael Goulart afirmou ter presenciado a cena logo após a queda. “A primeira cena que eu lembro de quando vi a menina no chão foi ver um dos funcionários tirando da alça do pescoço, do corpo que já estava no chão, a câmera da GoPro, preocupado com equipamento ou para querer esconder provas", contou.
Ele diz, ainda, que não sabe se retiraram a câmera do corpo da mulher com o intuito de esconder eventuais provas ou, então, se foi por preocupação com o valor do equipamento. De todo modo, ele relata que os funcionários “não esboçaram reação” e “estavam em estado catatônico”.
Após a queda, ainda segundo a testemunha, os funcionários trocaram de roupa. “Foi quando eu vi com o policial. Eu falei: ‘Eles não vão sair daqui livres, né?’. O policial falou: ‘Claro que não, eles estão querendo fugir’. Foi na hora que o policial sacou a arma e colocou eles sentados e falou: ‘Todo mundo que é da empresa aqui, fiquem quietos, senta e ninguém sai daqui’”, relatou.
Ao Terra, Goulart afirmou que irá dar seu depoimento à Polícia Civil sobre o caso na terça-feira, 16.
Responsável pela investigação, a delegada Andrea Danta Levy informou que acompanhou o trabalho da perícia no local do acidente, mas que a câmera utilizada por Maria Eduarda não foi encontrada. "A câmera pertencia à equipe, que não se pode chamar de empresa, e estava com a vítima. Provavelmente, durante a queda, ela pode ter escapado da mão da vítima, embora estivesse presa ao pulso”, disse a autoridade policial.
Andrea também relatou que nenhuma das pessoas ouvidas até o momento soube informar onde a câmera está. “O equipamento não foi localizado. A perícia e eu estivemos no local e realizamos diligências, mas não encontramos a câmera. No interrogatório, ninguém soube informar onde ela está. Sinceramente, acredito que ela não esteja mais no local, considerando a quantidade de pessoas que compareceu à ponte posteriormente para procurá-la. Acredito que, infelizmente, alguém possa ter retirado essa câmera”, acrescentou.
Valores para o salto e gravação
Em depoimento prestado à polícia, a enfermeira que aguardava sua vez de saltar e foi a primeira pessoa a prestar socorro a Maria Eduarda afirmou que a filmagem da atividade era oferecida como um serviço adicional, mediante pagamento à parte.
"Eles cobraram R$ 180 do salto e mais R$ 110 da gravação com a GoPro deles, que eles fornecem. Eles dão uma pulseira amarela que é a da filmagem", explicou a enfermeira Rayza Gabrieli Dias Delfino.
A profissional de saúde também relatou que não viu a câmera durante os procedimentos de atendimento à vítima. Segundo ela, quando chegou à parte de baixo da ponte para iniciar os primeiros socorros, dois integrantes da equipe responsável pela atividade já estavam no local.
"Eu estava do lado direito dela, quando eu comecei a fazer a massagem, não tinha nada", conta. "Quando eu cheguei embaixo, tinha duas pessoas e eu fui falando para elas fazerem as coisas. Essas duas pessoas eram da empresa”, complementou.
Entenda o caso
Maria Eduarda morreu após ser lançada de uma ponte durante uma prática de rope jump sem estar presa às cordas de segurança. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a jovem sendo empurrada de uma altura de cerca de 40 metros usando apenas um capacete. Segundo a Polícia Civil, ela deveria estar conectada a duas cordas, mas nenhuma delas estava presa ao equipamento.
De acordo com a delegada Andrea Levy, responsável pela investigação, a vítima usava uma cinta de segurança com os ganchos onde as cordas deveriam ser fixadas. Os três homens presos preventivamente afirmaram em depoimento que o procedimento correto previa o uso de duas cordas. O capacete utilizado por Maria Eduarda também não foi localizado pelas autoridades.
No domingo, 14, a Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante dos três suspeitos investigados por homicídio com dolo eventual. Eles alegaram não saber explicar como a jovem foi lançada sem a fixação das cordas e disseram que um acidente semelhante nunca havia ocorrido. Outras três pessoas também são investigadas, mas respondem em liberdade enquanto a polícia aguarda a conclusão dos laudos periciais e ouve novas testemunhas.
A reportagem acionou a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) em busca de mais informações sobre as próximas etapas da investigação, e se há novidades com relação à câmera desaparecida. O espaço segue aberto e será atualizado em caso de retorno.

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