Precisamos proibir as propagandas de bets
Em 2026, estima-se que o setor de bets fature algo em torno de 30 bilhões de reais por mês, patrocinando 80% dos times de futebol de nosso país
De forma diametralmente oposta e acertadamente, este tipo de publicidade foi bloqueado no Reino Unido, onde passou a ser proibida a propaganda de bets em camisas de times de futebol.
O Reino Unido é um bom exemplo a ser seguido por nós, sendo classificado como democracia plena segundo diversas análises internacionais. Segundo o índice PISA, mais importante referencial internacional para mensurar desempenho no campo educacional, está acima da média dos países da OCDE e seu IDH está entre os 15 a 20 melhores do planeta, tendo índice de percepção da corrupção que o coloca na posição 11 (somos o 107).
Ou seja, estando entre as 10 melhores economias do mundo, temos muito a aprender com o Reino Unido e um bom começo seria o marco civilizatório da proibição de propagandas de bets.
Por aqui, durante muito tempo foram naturalizadas cenas com atores fumando e a veiculação de mensagens comerciais de cigarro como símbolo de luxo, prazer e autoafirmação.
Há algumas décadas, entretanto, o desafio da salvaguarda da saúde pública nos exigiu a medida drástica de proibir a propaganda de cigarros, em face dos danos gravíssimos que causavam à saúde, matando milhões de pessoas de câncer de pulmão, o que se fez por força da lei 9294/96, considerada constitucional pelo STF em 2022.
Estamos ingressando numa encruzilhada equivalente em relação às bets, não sendo tolerável o argumento do dano à Economia, pois, se assim pensarmos, poderia estar justificado o tráfico de entorpecentes, que emprega pessoas. Ambas as atividades são altamente lesivas à saúde pública, não sendo plausível o argumento maquiavélico da atividade econômica a qualquer preço.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Perfil Brasil.
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