Fundo ligado à família Vorcaro também teria adquirido cota para filme sobre Temer
Assessoria do ex-presidente informou que Moriah Asset adquiriu uma cota de R$ 1 milhão no final de 2023
Um fundo de investimento ligado à família de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria adquirido uma cota para apoio financeiro do filme 963 dias — A história de um presidente que recolocou o Brasil nos trilhos, sobre o período que Michel Temer esteve na presidência. A informação foi confirmada pela assessoria do ex-presidente ao Terra.
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O caso veio à tona após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitir que o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), recebeu financiamento do banqueiro. Apesar disso, a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa, afirmou que a produção não recebeu "um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro".
Por sua vez, nesta quinta-feira, 14, o colunista do O Globo, Lauro Jardim, publicou uma matéria afirmando que o filme sobre Temer, dirigido por Bruno Barreto, e o documentário Lula, lançado em 2024, sob direção de Oliver Stone, também teriam recebido recursos do banqueiro.
Ao Terra, Elsinho Mouco, produtor executivo do longa e assessor de Temer, informou que o fundo Moriah Asset, empresa de Fabiano Zettel, cunhado do ex-dono do Master, adquiriu uma cota de R$ 1 milhão há quase três anos, no final de 2023.
Casado com Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel é pastor da igreja Lagoinha e atuava como intermediário e coordenador de empresas de fachada do banqueiro. Segundo as investigações, ele era responsável por repassar R$ 1 milhão por mês a Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, para coordenar e pagar as atividades a integrantes da 'Turma', grupo que funcionava como uma espécie de milícia privada a serviço de Vorcaro.
Ainda, segundo Elsinho, o longe teve orçamento total de aproximadamente R$ 12 milhões. “Nenhum patrocinador investiu mais de 10% do valor total da produção”, disse em nota (confira abaixo na íntegra).
A reportagem busca contato com a Moriah Asset. A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi procurada para prestar mais esclarecimentos sobre possíveis investimentos no documentário, e negou qualquer tipo de investimento ou dinheiro recebido.
O que se sabe sobre o financiamento do filme de Bolsonaro
Na quarta-feira, 14, o site Intercept Brasil mostrou mensagens e áudios em que Flávio Bolsonaro cobrava pagamentos relacionados à produção do filme à Daniel Vorcaro. O senador admitiu que pediu recursos a Vorcaro para a conclusão do projeto, alegando atraso em parcelas de patrocínio privado. No entanto, a produtora Go Up Entertainment negou.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), que atua como produtor executivo de Dark Horse, também contradisse Flávio ao afirmar que "não há um único centavo" do banqueiro no longa. Frias declarou ainda que o projeto foi desenvolvido integralmente com capital privado e negou qualquer participação financeira do banqueiro na produção cinematográfica.
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