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Portugal escolhe novo presidente, e socialista é favorito

7 fev 2026 - 15h31
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Sondagens indicam vitória de António José Seguro na votação deste domingo sobre o líder de ultradireita André Ventura, que promete a "maior mudança do sistema político português" desde a Revolução dos Cravos.Portugal vai às urnas neste domingo (08/02) para votar no segundo turno das eleições presidenciais, que coloca frente a frente a continuidade do regime democrático nascido da Revolução dos Cravos, representado pelo ex-ministro socialista António José Seguro, e a ruptura do sistema prometida pelo líder de ultradireita André Ventura. As sondagens apontam, entretanto, para uma ampla vantagem de Seguro.

Seguro e Ventura disputam o segundo turno da eleição à Presidência de Portugal
Seguro e Ventura disputam o segundo turno da eleição à Presidência de Portugal
Foto: DW / Deutsche Welle

Seguro, que vem se apresentando como candidato "suprapartidário", afirmou que pretende modificar "muitas coisas" que não funcionam, mas que de forma alguma pretende mudar o regime. Ventura, por outro lado, acena com "a maior mudança no sistema político português desde 25 de abril de 1974", data da revolução.

A continuidade e a estabilidade prometidas por Seguro contrastam com a "reestruturação" antecipada por Ventura, que acusa de fracasso as legendas que governam o país desde a restauração da democracia - o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD).

Portugal é um regime semipresidencialista, em que o Poder Executivo é compartilhado entre o presidente e o primeiro-ministro.

Campanha em meio a inundações

Para tentar convencer os eleitores, ambos os candidatos que disputam a sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio de Belém, sede da Presidência, têm concentrado suas campanhas neste segundo turno nas áreas mais afetadas pelas tempestades que atingiram o país nas últimas duas semanas.

Ambos os candidatos reescreveram drasticamente seus discursos e aparições durante a campanha eleitoral para focar nas cidades e vilarejos mais atingidos pelas enchentes.

Assim, Seguro tem sido visto conversando com moradores das áreas afetadas porque, como afirma, "o trabalho do presidente é ouvir os cidadãos", enquanto Ventura tem distribuído suprimentos e visitado fábricas impactadas pelo mau tempo, entre outras atividades.

Adiamento em alguns municípios

A votação foi adiada em uma semana em alguns municípios devido às tempestades, que mataram ao menos cinco pessoas, provocaram inundações e causaram danos generalizados.

Espera-se que um novo temporal chegue ao país no fim de semana da votação. Apesar disso, o pedido de Ventura para adiar o pleito em todo o país devido ao mau tempo foi rejeitado.

O primeiro-ministro português, Luis Montenegro, disse que as chuvas causaram uma "crise devastadora", mas que as ameaças à votação podem ser superadas. A lei eleitoral permite apenas o adiamento em localidades específicas.

Ventura, cujo partido Chega foi criado em 2019 e agora já é a maior sigla de oposição no Parlamento, atacou a resposta às enchentes dada pelo governo minoritário de centro-direita de Montenegro.

Seguro abandonou sua postura de candidato unificador e também criticou o governo.

Sondagens indicam vitória de Seguro

Os dois tiveram apenas um debate eleitoral neste segundo turno, onde Seguro se apresentou como o candidato moderado e enfatizou que Ventura fez a escolha errada porque, segundo ele, "o que realmente quer é ser primeiro-ministro com poderes executivos", e não tanto um árbitro ou fiscalizador, que é o papel do chefe de Estado em Portugal.

O candidato de ultradireita respondeu acusando-o de não querer fazer nada e de aspirar ser "uma espécie de Rainha da Inglaterra".

A expectativa é que Seguro, líder nas pesquisas de intenção de voto, tenha uma vitória tranquila.

Pesquisa do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica Portuguesa publicada na terça-feira pela emissora pública RTP, pela rádio Antena 1 e pelo jornal Público indica que o ex-ministro obteria 67% dos votos, contra 33% de Ventura, se desconsiderados os indecisos e os votos brancos e nulos.

Primeiro turno

Seguro venceu o primeiro turno das eleições, realizado em 18 de janeiro, com 1.755.563 votos (31,11%), seguido por Ventura com 1.327.021 (23,52%).

Atrás deles, ficaram o eurodeputado liberal João Cotrim de Figueiredo, com 16% dos votos; o almirante reformado Henrique Gouveia e Melo, com 12,32%; e o ex-ministro conservador Luís Marques Mendes, apoiado por ambos os partidos do governo de centro-direita, com 11,3%.

A pesquisa do Cesop indica que os eleitores que optaram por outros candidatos no primeiro turno tender a preferir Seguro em vez de Ventura.

O ex-ministro socialista receberia dois terços dos votos daqueles que votaram em Cotrim de Figueiredo (60%), Gouveia e Melo (63%) ou Marques Mendes (69%), todos candidatos de centro-direita, enquanto o candidato da ultradireita herdaria 14%, 16% e 11% dos votos, respectivamente.

Apoio dos candidatos derrotados

Os candidatos derrotados no primeiro turno manifestaram apoio a Seguro, assim como os ex-presidentes portugueses Aníbal Cavaco Silva (2006-2016) e António Ramalho Eanes (1976-1986), este último o primeiro presidente democraticamente eleito de Portugal após a revolução.

Ventura acredita que o apoio a Seguro tanto da esquerda quanto da direita não é tanto um endosso ao seu oponente, mas sim reflexo da rejeição que enfrenta por ser um candidato "antissistema".

Seguro, por sua vez, atribui o sucesso de sua candidatura até agora à sua imagem de "defensor da democracia".

md/ra (EFE, AFP)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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