Piloto e dono de balão que caiu no interior de SP são indiciados por homicídio
A Polícia Civil de São Paulo indiciou Fábio Salvador Pereira e Miguel Antônio Bruder Levia, respectivamente piloto e proprietário da empresa que operava o passeio de balão, pelo crime de homicídio culposo após a queda em Capela do Alto, em 15 de junho. A vítima fatal foi identificada como Juliana Alves Prado Pereira, psicóloga de 27 anos, natural de Pouso Alegre (MG), segundo a investigação.
O relatório final foi remetido ao Ministério Público, que poderá apresentar denúncia, pedir diligências ou arquivar o caso. Acompanhando o cronograma legal, o processo seguiu após o prazo para inquérito se encerrar.
Miguel, dono da empresa Aventurar Balonismo, foi intimado duas vezes para depor, mas não compareceu, alegando problemas de saúde. Já Fábio foi preso em flagrante logo após o acidente e permanece em prisão preventiva.
Irregularidades no voo de balão estão na base do indiciamento
Diferentemente de um evento esportivo, o voo era turístico. Partiu de Boituva, cidade que sediava o 38º Campeonato Brasileiro de Balonismo, mas a confederação ressaltou que o balão não integrava a competição. Além disso, operava sem autorização para voos comerciais e com o Certificado de Aeronavegabilidade vencido.
Relatórios do CENIPA e do Instituto de Criminalística apontam que, durante o voo, o balão tentou pousar em áreas inadequadas em Capela do Alto. O cesto colidiu com o solo pelo menos duas vezes antes da queda final, o que arremessou vários ocupantes para fora. Em depoimento, o piloto atribuiu o acidente a uma rajada de vento súbita.
Leandro de Aquino Pereira, marido de Juliana, estava entre os feridos, mas já recebeu alta hospitalar. Ao todo, 33 passageiros, além do piloto e de um auxiliar, estavam a bordo. Onze pessoas ficaram feridas, três das quais foram transferidas para Sorocaba, mas já deixaram o hospital.
O caso reacende o debate sobre a segurança no balonismo turístico no Brasil. A Prefeitura de Boituva chegou a cancelar voos naquele dia devido ao tempo instável. Ainda há indicações de que a empresa responsável operava informalmente, sem regularização, após fiscalização prévia.
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