PF aponta esquema com hackers, policiais e capangas ligados a Daniel Vorcaro para espionagem e intimidação
Investigação aponta que grupo tentou atrair jornalista por WhatsApp para enviar link malicioso
Uma investigação da Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro comandava uma estrutura criminosa formada por hackers, policiais, milicianos e bicheiros para realizar invasões digitais, monitoramento ilegal e ameaças contra adversários. Segundo os investigadores, o grupo utilizava técnicas de engenharia social, links maliciosos, softwares personalizados e até inteligência artificial para tentar acessar celulares, e-mails e informações privadas de alvos específicos.
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A organização, segundo a PF, era dividida em dois braços: o núcleo tecnológico, chamado de "Os Meninos", e o grupo operacional conhecido como "A Turma", responsável por intimidações presenciais e ações físicas.
De acordo com a investigação, o núcleo digital atuava para invadir dispositivos e obter dados de pessoas consideradas adversárias do grupo. O esquema foi veiculado pelo Fantástico neste domingo, 17.
Mensagens obtidas pela PF mostram que integrantes tentavam enganar vítimas por aplicativos de mensagens para que clicassem em links enviados pelos criminosos. A estratégia, conhecida como phishing, consiste em simular contatos legítimos para induzir a pessoa a fornecer acesso ao aparelho ou informações privadas.
Em uma das conversas analisadas pela PF, relacionada ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Daniel Vorcaro escreveu: "preciso hackear esse lauro".
O intermediário identificado como "Sicário" respondeu: "vou mandar fazer isto. já pedi aos meninos para fazer isto. mandar no email. quer que tome o cel dele?". Segundo os investigadores, o grupo tentou atrair o jornalista por WhatsApp fingindo ser um repórter para enviar um link malicioso, mas a tentativa não avançou.
A PF afirma ainda que os suspeitos utilizavam softwares desenvolvidos sob medida, falsificação de documentos públicos e recursos de inteligência artificial para monitoramento e coleta de informações.
Um dos integrantes do braço tecnológico, Victor Lima Sedlmaier, foi preso em Dubai em uma operação conjunta entre autoridades brasileiras, a Interpol e a polícia local. Ele havia chegado aos Emirados Árabes Unidos menos de dois dias antes da prisão e foi levado ao Brasil após desembarcar no Aeroporto de Guarulhos.
Em depoimento, Sedlmaier afirmou que prestava serviços de tecnologia para o grupo desde 2024. Segundo ele, recebia salário mensal de R$ 2 mil, além de bônus. A PF suspeita que outros pagamentos eram feitos por meio de duas drogarias nas quais o investigado possuía participação societária minoritária.
Segundo a investigação, as ordens para os hackers partiam de David Henrique Alves, de 23 anos, apontado como líder do setor tecnológico da organização. Segundo a reportagem, a PF afirma que ele recebia salário mensal de R$ 35 mil. Desde a última quinta-feira, é considerado foragido.
A defesa de Victor Lima Sedlmaier informou que o envolvimento dele será esclarecido ao longo do processo e afirmou que ainda não teve acesso completo às provas reunidas pela investigação.
Ameaças físicas
A PF afirma que Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, atuava na coordenação financeira do braço operacional da organização. Segundo os investigadores, "A Turma" reunia policiais federais da ativa e aposentados, milicianos e bicheiros encarregados de ameaças, coerções presenciais e acessos indevidos a sistemas públicos.
A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que ele "nunca foi operador ou controlador de grupos envolvidos em ilicitudes". Os advogados de Daniel Vorcaro informaram que não irão comentar o caso.

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