Pentágono intensifica planos de intervenção militar em Cuba, diz jornal
Departamento de Defesa dos EUA pede cautela após reportagem do "USA Today" alegar que Washington estaria intensificando o planejamento para intervir militarmente na ilha e aguardando ordens diretas de Trump.Uma reportagem divulgada nesta quinta-feira (16/04) pelo jornal americano USA Today afirma que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos estaria intensificado planos referentes a uma intervenção militar em Cuba, aguardando ordens diretas do presidente dos EUA, Donald Trump. A publicação provocou uma reação do Pentágono, que pediu cautela em relação ao tema.
As alegações surgem após meses de medidas adotadas por Washington para aumentar a pressão econômica sobre Havana no intuito de forçar mudanças políticas na ilha, como ao restringir o fornecimento de petróleo ao país.
O próprio Trump, que afirmou repetidamente que Cuba seria seu próximo alvo depois do Irã, deixou as portas abertas para uma ação direta. "Acho que terei a honra de assumir o controle de Cuba", chegou a afirmar o republicano. "Pode ser uma tomada de poder amigável, ou não", acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi enfático no mês passado ao ser questionado sobre os sucessivos vazamentos para a imprensa a respeito das relações entre Cuba e os Estados Unidos. "Qualquer notícia sobre Cuba que não venha de nós é mentira", disse, tentando desacreditar reportagens como as do USA Today ou outras anteriores do The New York Times, em um contexto de incertezas e sensibilidades.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos reagiu à reportagem do USA Today afirmando que não especularia sobre "cenários hipotéticos" e que as Forças Armadas antecipam várias contingências e "permanecem preparadas para executar as ordens do presidente".
Bloqueio econômico, pressão política e crise estrutural
As tensões entre Cuba e os Estados Unidos, que se intensificaram em janeiro, aumentaram novamente esta semana quando o ministro cubano do Exterior, Bruno Rodríguez, acusou Washington de intimidar os países que tentam realizar negócios com a ilha e defendeu o direito da nação caribenha de importar combustível.
Trump intensificou a pressão contra o governo do líder Miguel Díaz-Canel ao bloquear os carregamentos de petróleo bruto venezuelano desde a prisão do ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
O bloqueio petrolífero imposto pelos EUA nos últimos três meses também exacerbou uma crise estrutural que a ilha vem sofrendo há pelo menos seis anos. A economia do país contraiu 15% entre 2020 e 2025.
rc (EFE, ots)
Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.