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Esquecida e sem acordo de paz, Faixa de Gaza permanece em limbo

16 abr 2026 - 17h00
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Guerra no Irã afasta atenção internacional sobre a crise no enclave palestino. Cessar-fogo que já dura mais de seis meses tem se mostrado instável e esforços para encontrar soluções para a região têm avançado pouco.Há vários meses, esforços de mediação internacional tentam estabelecer um cessar-fogo estável entre o Hamas e Israel na Faixa de Gaza. Mais recentemente, neste domingo (12/04), uma delegação do grupo viajou ao Cairo para se reunir com mediadores egípcios sobre os próximos passos no processo para pôr fim às hostilidades.

O foco está nas questões pendentes da - ainda - primeira fase do acordo de cessar-fogo alcançado há mais de seis meses, e em saber se a segunda fase - e, sobretudo, a fase final - seria de fato viável.

O Hamas, classificado como organização terrorista pela Alemanha, União Europeia (UE), Estados Unidos e outros países, desencadeou uma guerra em Gaza ao realizar seus ataques terroristas em Israel em 7 de outubro de 2023, aos quais Israel respondeu com uma devastadora ofensiva aérea e terrestre. Um frágil cessar-fogo está em vigor desde 10 de outubro de 2025, embora seja repetidamente violado por ataques isolados.

Especialistas consideram preocupante o saldo do cessar-fogo. As negociações políticas estagnaram e, com elas, a perspectiva de uma estabilização duradoura. Seis meses depois, essa "promessa esperançosa permanece em grande parte não cumprida", segundo uma análise do Conselho Norueguês para Refugiados.

Negociações emperradas

Os esforços para encontrar uma solução e mediar o conflito, atualmente ofuscados pelos efeitos da guerra no Irã, têm apresentado poucos avanços. O trabalho do Conselho de Paz - iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - tem sido amplamente ineficaz. Lançado com grandes aspirações políticas para fazer concorrência com a ONU, teve até agora pouco impacto. Embora estruturas institucionais tenham sido estabelecidas e promessas de bilhões de dólares tenham sido feitas, muitos desses fundos, segundo relatórios de agências, estão sendo liberados com relutância ou simplesmente não foram enviados.

Peter Lintl, especialista em Israel e Oriente Médio do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP) em Berlim, descreve a situação de maneira cautelosa. "No momento, tudo parece estar fora de controle" e, em torno disso, as questões cruciais - o desarmamento do Hamas, a futura administração de Gaza e a retirada das tropas israelenses - permanecem há meses sem solução. Ao mesmo tempo, há uma falta de mecanismos funcionais para garantir o cumprimento de quaisquer acordos que possam ser alcançados, disse Lintl à DW.

Simon Wolfgang Fuchs, especialista em estudos islâmicos da Universidade Hebraica de Jerusalém, vê as coisas de modo semelhante. Ele também observa que as negociações não estão progredindo e os prazos têm sido repetidamente ultrapassados. De modo geral, aumenta a impressão de que há um impasse diplomático. Segundo Fuchs, a dinâmica é caracterizada mais por desconfiança do que por reaproximação.

Questão mais difícil: desarmamento do Hamas

Não se trata apenas de detalhes, mas de questões fundamentais - e também da sequência de eventos relacionados às questões complexas a serem resolvidas. Por exemplo, as partes em conflito permanecem divididas sobre o que deve ocorrer primeiro, o desarmamento do Hamas ou a retirada das tropas israelenses.

"Observadores internacionais e independentes monitorarão o processo de desmilitarização da Faixa de Gaza", declarou o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, no início do ano. Embora tais planos demonstrem que existem algumas ideias concretas para uma transição, essa proposta pressupõe que ambos os lados façam concessões fundamentais - e é justamente isso que tem faltado até agora.

"Para Israel, está claro que deve ocorrer primeiro o desarmamento, depois a retirada. Para o Hamas, é exatamente o oposto", afirma Fuchs ao descrever o dilema. Ambos os lados estão, portanto, presos em posições que são atualmente quase impossíveis de conciliar, acrescentou.

No entanto, todo o desenvolvimento futuro depende de um acordo sobre essa questão. Ao mesmo tempo, apesar do seu enfraquecimento militar, o Hamas continua a ser um ator relevante. Suas estruturas persistem apesar da dura campanha militar de Israel, que resultou em dezenas de milhares de mortes e assassinatos seletivos de membros do Hamas. O grupo continua a controlar partes da Faixa de Gaza e atua efetivamente como a autoridade dominante e a força da ordem na região - fato este que complica ainda mais qualquer solução política.

Situação militar tensa

A situação militar permanece tensa, enquanto Israel continua a recorrer a ataques direcionados contra líderes do Hamas. No entanto, civis são atingidos repetidamente nesses ataques - o que diminui ainda mais as perspectivas de uma paz duradoura. Segundo uma análise recente da organização internacional de ajuda humanitária Oxfam, o plano de cessar-fogo do governo Trump está à beira do colapso.

Outros elementos-chave do plano para Gaza também ainda não foram implementados. Por exemplo, o órgão tecnocrático planejado para a administração civil da Faixa de Gaza ainda não está em funcionamento.

O financiamento da reconstrução também permanece incerto - principalmente devido à situação tensa em toda a região. Os Estados do Golfo, que deveriam cobrir grande parte dos custos de reconstrução da Faixa de Gaza, estão sob pressão devido aos danos causados pela nova guerra envolvendo o Irã. "Refinarias, campos de petróleo e terminais de exportação danificados por ataques de foguetes e drones precisarão de meses - e, em alguns casos, anos - para reparos", de acordo com um relatório analítico da agência de notícias Reuters. Consequentemente, os fundos para Gaza provavelmente serão escassos.

"Espiral descendente"

Enquanto isso, os civis continuam a sofrer as consequências. A situação humanitária na Faixa de Gaza permanece precária e, em muitos lugares, está se deteriorando novamente.

Escassez de suprimentos, aumento de preços e infraestruturas danificadas são parte do cotidiano. O especialista Fuchs descreve os acontecimentos como uma "espiral descendente". Mesmo onde a ajuda humanitária consegue chegar, a insegurança permanece em alta. "As experiências de escassez anteriores, especialmente a fome de 2025, têm impacto duradouro e reforçam a sensação de ameaça constante", afirma Fuchs.

Ao mesmo tempo, o clima político na Faixa de Gaza é difícil de avaliar externamente. Segundo Peter Lintl, relatos indicam que qualquer crítica ao Hamas continua sendo brutalmente reprimida nas áreas controladas pelo grupo. Isso complica ainda mais uma avaliação confiável. Ao mesmo tempo, os palestinos nutrem temores persistentes de deslocamentos forçados permanentes impostos por Israel.

Solução em um futuro próximo é improvável

Peter Lintl vê com ceticismo a possibilidade de uma solução em curto prazo. Os custos políticos para ambos os lados são atualmente muito altos, afirma. Bloqueios estruturais também persistem. Muitos analistas internacionais compartilham da visão de que, embora exista um cessar-fogo que, apesar das inúmeras mortes, deslocamentos e destruição, proporcione algum alívio para o cotidiano da população, ele é apenas parcialmente eficaz - e uma solução política sustentável ainda não está à vista.

Por ora, a Faixa de Gaza parece permanecer em um estado que não é nem de guerra nem de paz. Isso não é, de forma alguma, seguro, pois significa que uma nova escalada permanece possível a qualquer momento.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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