Milionários financiam mais uma tentativa de salvar baleia encalhada na Alemanha
Após abandono de tentativas oficiais, empresários financiam nova operação para salvar a baleia-jubarte "Timmy", que agoniza em águas rasas do Báltico há semanas. Novo esforço é visto com ceticismo por especialistas.Equipes de apoio na Alemanha retomaram, nesta quinta-feira (16/04), os esforços para uma nova tentativa de resgate da baleia-jubarte encalhada no Mar Báltico, próxima à ilha de Poel, no norte do país. O animal, apelidado de "Timmy" pela imprensa, segue imobilizado em águas rasas há mais de duas semanas, e muitos temem que a jubarte possa morrer em breve.
Segundo os organizadores da operação, a baleia reagiu a estímulos verbais durante uma avaliação de um especialista que se aproximou do animal nesta quinta. De acordo com a equipe, o estado geral da jubarte é mais estável do que se temia: o espiráculo está livre e não apresenta sinais de inflamação, e o animal não demonstrou agitação durante o contato. Ainda assim, o quadro inspira cautela.
A operação, financiada com recursos privados, enfrenta atrasos logísticos. O coordenador da iniciativa, o empresário alemão Walter Gunz, afirmou que parte do cronograma precisou ser adiada. "Infelizmente, perdemos tempo pela manhã", disse ele ao Bild. Os trabalhos devem ser retomados integralmente nesta sexta (17/04), após a montagem do equipamento de resgate.
Chances incertas
O plano prevê levantar a baleia com almofadas de ar, posicioná-la sobre uma lona presa a duas embarcações e, em seguida, rebocá-la por centenas de quilômetros até o Mar do Norte - e, se possível, devolvê-la ao Atlântico.
Autoridades regionais aprovaram a iniciativa, apesar das tentativas anteriores de resgate terem fracassado. Em ocasiões passadas, Timmy chegou a ser temporariamente liberada, mas voltou a encalhar, cada vez mais debilitada.
A presença da baleia no Báltico, um mar com baixa salinidade e distante do habitat natural dela, intriga especialistas. A hipótese mais aceita é que o animal tenha se desorientado durante uma migração ou ao seguir um cardume de arenques.
O retorno ao Atlântico, no entanto, exige que ela atravesse um trajeto longo e cheio de marés intensas.
Em 23 de março, Timmy encalhou inicialmente em um banco de areia na costa do estado alemão de Schleswig-Holstein. Após vários dias e uma complexa operação de resgate com o uso de dragas, ela conseguiu se libertar, mas pouco depois encalhou novamente, desta vez na Baía de Wismar.
A essa altura, profissionais de resgate envolvidos na operação afirmaram que a saúde do mamífero vinha se deteriorando rapidamente.
As autoridades decidiram então dar um pouco de descanso para o animal para que estivesse recuperado e pronto para aproveitar a subida da maré. Inicialmente, ela se soltou novamente e a operação pareceu ser bem-sucedida, mas logo depois a baleia evitou seguir para o Atlântico, permanecendo novamente em águas rasas no Báltico.
No início de abril, autoridades locais e especialistas envolvidos no resgate decidiram abandonar os esforços oficiais, apontando que novas tenativas configurariam crueldade animal e disseram que o melhor seria deixar a baleia morrer em paz.
No entanto, Timmy seguiu viva nas semanas seguintes, intensificando o drama envolvendo a baleia e gerando apelos entre o público por mais tentativas de resgate.
Na quarta-feira, Till Backhaus, secretário do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, anunciou uma mudança de posição em apoio à nova missão de resgate "única", dizendo estar "muito feliz" com a possibilidade de uma última chance de salvar a Alemanha.
Críticas e ceticismo
Mas a retomada do resgate também gerou críticas no país. Kim Detloff, chefe da área de proteção marinha da Associação Alemã de Proteção da Natureza (Nabu), afirmou que a iniciativa ocorre sob forte pressão pública.
"Essa decisão deveria ter sido tomada há uma semana", disse ele à agência Deutsche Press-Agentur (DPA). Para Detloff, as chances de sucesso são mínimas. "É terrível. Pensávamos que ela morreria entre três e seis dias, e agora ela está lá há 16 dias", disse.
O Greenpeace, que participou das operações de resgate anteriores, declarou que não apoiará a nova operação. "Não estamos participando porque, de acordo com todas as informações que obtemos, a baleia-jubarte está doente e severamente debilitada", disse um porta-voz da entidade à DPA.
Os organizadores da operação rejeitam essa avaliação. Karin Walter-Mommert, empresária e cofinanciadora da iniciativa, afirma que Timmy está "melhor do que se imagina" e que os sinais vitais são estáveis. Ela também descartou, até o momento, a presença de restos de redes de pesca na boca do animal, risco frequentemente associado a encalhes.
A equipe também aguarda a chegada de uma especialista dos Estados Unidos para seguir com o resgate. "A Dra. Jenna Wallace, do Havaí, trará equipamentos médicos para que possamos examinar a baleia de forma minuciosa", informou Walter-Mommert à emissora RTL.
Mobilização nacional
O drama de Timmy ganhou grande dimensão nas últimas semanas na Alemanha, com veículos de imprensa seguindo de perto as tentativas de resgate da baleia-jubarte, além da grande presença de pessoas nas praias da ilha de Poel.
Para evitar que o animal ficasse ainda mais estressado, a polícia isolou uma área de 500 metros ao redor de Timmy. Mesmo assim, no último fim de semana, uma mulher de 67 anos pulou de um barco tentando se aproximar da jubarte antes de ser contida pelas autoridades.
Bancada por empresários sem histórico em defesa dos animais, a operação expõe contradições. Walter Gunz, cofundador da rede de varejo de eletrônicos MediaMarkt que chegou a figurar na lista dos mais ricos da Alemanha, disse ter decidido resgatar a balheia após ser questionado por conhecidos se não seria possível fazer algo.
O empresário não deu ouvidos às críticas de especialistas em baleias e montou a equipe de resgate de acordo com as próprias preferências. Para ele, o risco é inevitável. "Sem tentativa, a baleia certamente morrerá. Tentando, ao menos existe uma chance", afirmou.
Já a cofinanciadora Karin Walter‑Mommert é ligada à corrida de cavalos, esporte que é alvo de organizações de proteção animal. Ela é casada com Ulrich Mommert, empresário austríaco que, segundo a revista Forbes, tem fortuna estimada em 1,7 bilhão de dólares.
fcl (AFP, dpa, ots)
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