MC Ryan e Chrys Dias têm perfis do Instagram derrubados após prisão pela PF
Eles são investigados por suspeita de envolvimento em esquema bilionário de lavagem de dinheiro, alvo de operação da Polícia Federal
Os perfis do Instagram do MC Ryan e do influenciador Chrys Dias -- que se apresentava como empresário de Ryan -- foram retirados do ar nesta quinta-feira, 16, após eles terem sido presos durante a Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. De acordo com últimos registros, Chrys contava com cerca de 14,8 milhões de seguidores, e Ryan com 15,6 milhões.
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Na quarta-feira, 15, MC Ryan SP foi capturado em um apartamento na Riviera de São Lourenço, bairro de luxo localizado em Bertioga, no litoral de São Paulo, durante uma festa. Ryan usaria seus 15 milhões de seguidores para justificar seu patrimônio e neutralizar alertas de compliance, segundo as investigações.
Além deles, o Poze do Rodo também foi preso. Ele estava em sua casa no momento da captura, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Outro detido foi o influenciador Raphael Sousa Oliveira, dono da página 'Choquei', que foi capturado em Goiânia (GO). Ao todo, 77 pessoas físicas e jurídicas foram indiciadas.
Procuradas pelo Terra, as defesas de Ryan e Poze não se manifestaram até o momento. À reportagem, o advogado de Raphael Sousa só mencionou que a PF localizou pagamentos de R$ 270 mil em publicidade de MC Ryan SP para dono da Choquei. A defesa de Chrys Dias não foi localizada. O espaço segue aberto.
Mais sobre a investigação
A operação de quarta-feira, 16, teve como objetivo desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de dinheiro e criptoativos no Brasil e no exterior. A ação é um desdobramento da Narco Bet, deflagrada no fim de 2025, que mirou estrutura de lavagem de dinheiro oriundo de atividades que vão do tráfico de drogas, operações de bets ilegais e rifas ilegais.
Ao todo, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão, além de 45 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), nas cidades da capital paulista, em Santos, Guarujá, Praia Grande, São Bernardo do Campo e Campinas, entre outros no estado; além de municípios do Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Além dos mandados, a Justiça determinou o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias para interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento. O bloqueio de valores autorizado é de R$ 1,6 bilhão, correspondente ao montante movimentado em menos de 24 meses.
Como funcionava o esquema
À imprensa, Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, explicou a função dos influenciadores no esquema criminoso: “Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”
“Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”, diz Maceiras.
O delegado destaca que a operação da PF seguiu o ‘caminho’ do dinheiro lavado que, na ponta, se ressaltava no patrimônio das figuras públicas na forma de “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos”.
O esquema de lavagem, segundo Maceiras, era facilitado com o uso de processadoras de pagamento, empresas com as quais os criminosos conseguiam movimentar grandes valores e, através delas, avançar às fases finais do esquema, como a descentralização dos recursos, uso de contas de passagens e laranjas, para dificultar o rastreio.
O delegado explicou, ainda, que parte do dinheiro lavado era oriundo do tráfico de drogas: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.


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