Pedágios estilo Uber? Entenda o plano que pode mudar o valor das tarifas no Brasil
Descubra como a tecnologia de preços oscilantes promete reduzir congestionamentos e baratear viagens em horários de baixo fluxo
O modelo de cobrança em pedágios nas rodovias brasileiras pode passar por uma transformação radical nos próximos anos, adotando uma lógica muito semelhante à dos aplicativos de transporte. A proposta é implementar uma tarifa dinâmica que oscila conforme o horário e o nível de congestionamento da via. Segundo Eduardo Camargo, CEO da Motiva, empresa responsável pela administração de estradas em seis estados, o objetivo é que o valor pago pelo motorista seja ajustado em tempo real. Em entrevista ao programa do Jornal do Carro na Rádio Eldorado, o executivo detalhou que essa tecnologia permitirá oferecer preços significativamente menores em períodos de tráfego reduzido, como as madrugadas.
A ideia central é que o sistema funcione de forma inteligente para equilibrar o fluxo de veículos. "No futuro, essa tarifa deve, de fato, funcionar como um uber. Você vai pedir um veículo naquele momento, que tem uma demanda maior, a tarifa vai ser um pouco mais alta. No caso da rodovia (...) a rodovia, na sua pista marginal, tá mais congestionada, a tarifa tende a subir. Em um período de madrugada, por exemplo, ou da noite que você tem um volume de tráfego baixo, é uma tarifa super baixa.", afirma Camargo. Essa dinâmica de preços já é uma realidade consolidada em mercados internacionais como Singapura, Londres e Nova York, onde a chamada precificação por congestionamento ajuda a gerir o trânsito em grandes metrópoles.
Apesar do entusiasmo com o projeto, a implementação no Brasil ainda deve levar algum tempo. Atualmente, o foco das concessionárias e dos órgãos reguladores está na transição para o sistema "free flow", que elimina as praças físicas e as cancelas. A expectativa da Motiva é que as barreiras tradicionais sejam totalmente extintas até 2030 (2030). Além da infraestrutura técnica, a mudança para tarifas variáveis depende de novos ajustes nos contratos de concessão junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), uma vez que a maioria das rodovias brasileiras ainda opera sob o regime de valores fixos estabelecidos em edital.
Nos Estados Unidos, o modelo já é aplicado em pedágios de faixas expressas, onde o custo para transitar varia quase instantaneamente para garantir que o fluxo de veículos nunca pare. No cenário nacional, a adoção desse conceito de "pedágio dinâmico" representaria um marco na gestão de infraestrutura. A medida não apenas beneficiaria motoristas que viajam em horários alternativos com descontos expressivos, mas também serviria como uma ferramenta de planejamento urbano para aliviar os gargalos nas principais saídas das capitais durante os feriados e horários de pico. Por enquanto, os condutores devem acompanhar a evolução dos sistemas automáticos de pagamento, que são o primeiro passo para essa revolução tarifária.