Parque Nacional Marinho do Albardão nasce no Sul do RS e se torna o maior do país
Unidade de conservação com mais de um milhão de hectares busca proteger fauna marinha ameaçada e ecossistemas costeiros estratégicos
O litoral de Santa Vitória do Palmar, no extremo sul do Rio Grande do Sul, passou a abrigar oficialmente o Parque Nacional Marinho do Albardão, a maior área marinha protegida do Brasil. A criação foi formalizada pelo governo federal em março de 2026 e inclui também a Área de Proteção Ambiental do Albardão, formando um conjunto de unidades de conservação voltadas à preservação ambiental.
Com cerca de 1.004.480 hectares, o parque ocupa uma região considerada única do ponto de vista ecológico. A área integra um dos maiores trechos contínuos de praia do mundo e reúne diferentes ambientes naturais, como dunas, lagoas costeiras, depósitos de conchas, banhados e zonas oceânicas influenciadas por correntes tropicais e subantárticas.
Pesquisas conduzidas ao longo de décadas por cientistas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e por organizações ambientais apontaram a relevância da região para a sobrevivência de várias espécies. O Albardão abriga tartarugas marinhas, mamíferos marinhos como toninhas e baleias, além de dezenas de espécies de aves costeiras e migratórias.
A criação da unidade também busca enfrentar um problema recorrente na região: a mortalidade de fauna marinha associada à pesca com redes de emalhe. Estudos indicam que entre 2 mil e 4 mil toninhas podem morrer anualmente no litoral gaúcho devido a capturas acidentais, o que levou especialistas a defenderem medidas de proteção mais rigorosas para o ecossistema.