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Ouro está "vazando" de dentro da Terra, diz pesquisa

Núcleo metálico do planeta abriga mais de 99% do mineral precioso — e, segundo cientistas, não é tão isolado como se pensava

28 mai 2025 - 12h45
(atualizado em 28/5/2025 às 12h26)
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Segundo estudo, metal precioso está enterrado a quase 3 mil quilômetros de profundidade
Segundo estudo, metal precioso está enterrado a quase 3 mil quilômetros de profundidade
Foto: DW / Deutsche Welle

Mais de 99% do ouro existente no mundo está enterrado a quase 3 mil quilômetros de profundidade, onde as temperaturas superam os 5.000 °C — é o que revelou um estudo científico realizado por pesquisadores da Universidade de Göttingen, na Alemanha, publicado na semana passada na revista Nature.

Se toda essa riqueza estivesse acessível — e não trancafiada no núcleo metálico da Terra —, haveria ouro suficiente para cobrir a superfície do planeta com uma camada de 50 centímetros de espessura.

Os pesquisadores, contudo, fizeram outra revelação suspreendente: parte dessa reserva está escapando lentamente e chegando à superfície.

"Quando chegamos aos primeiros resultados, percebemos que tínhamos literalmente encontrado ouro", afirmou o geoquímico Nils Messling, que liderou o estudo, em comunicado. Sua equipe descobriu que o material do núcleo da Terra, "incluindo ouro e outros metais preciosos", está se infiltrando no manto da Terra e acaba chegando à superfície por meio do magma vulcânico.

Rutênio-100: chave para a descoberta

A descoberta foi feita a partir da análise de rochas vulcânicas das ilhas havaianas, onde os pesquisadores detectaram concentrações excepcionalmente altas de rutênio-100, um isótopo raro desse metal precioso que é mais abundante no núcleo da Terra do que no manto rochoso (camada entre o núcleo e a crosta terrestre). Isótopos são versões do mesmo tipo de átomo, com a mesma quantidade de prótons (o que define um elemento químico), mas com uma quantidade diferente de nêutrons.

Alemanha e Itália vêm em seguida, com mais de 3 mil e 2 mil toneladas de ouro, respectivamente.
Alemanha e Itália vêm em seguida, com mais de 3 mil e 2 mil toneladas de ouro, respectivamente.
Foto: Anomalnaya/Pixabay / Flipar

A diferença entre o rutênio situado no núcleo e no manto é tão minúscula que até agora era impossível detectá-la. No entanto, a equipe de Göttingen desenvolveu novas técnicas de análise isotópica altamente precisas que lhes permitiram comparar os dois tipos.

Essa diferença sutil no rutênio-100 das lavas havaianas só poderia significar uma coisa, concluíram os pesquisadores: essas rochas se originaram na fronteira entre o núcleo e o manto da Terra, a uma profundidade de mais de 2,9 mil quilômetros.

Esse fenômeno tem suas raízes na própria formação do nosso planeta. Há cerca de 4,5 bilhões de anos, durante o que é conhecido como a "catástrofe do ferro", os elementos mais pesados afundaram para o interior derretido da jovem Terra, ficando presos no núcleo já diferenciado, conforme explica a publicação Science Alert. Posteriormente, o bombardeio de meteoritos trouxe mais ouro e metais pesados para a crosta terrestre.

Historicamente, grande parte desse ouro foi depositado durante e após a Segunda Guerra Mundial, quando várias nações buscaram um local seguro para suas reservas.
Historicamente, grande parte desse ouro foi depositado durante e após a Segunda Guerra Mundial, quando várias nações buscaram um local seguro para suas reservas.
Foto: Jingming Pan/Unsplash / Flipar

Até o momento, pesquisas já haviam confirmado que alguns gases, como o hélio primordial (um dos elementos mais antigos do universo), poderiam vazar do núcleo, mas não havia evidências se o mesmo ocorria com metais pesados. O que esse estudo mostra, de acordo com os autores, é que todos os elementos siderófilos - que migraram para o núcleo quando a Terra era jovem e totalmente fundida — estão vazando. Isso inclui não apenas o rutênio e o ouro, mas também o paládio, o ródio e a platina.

"Agora também podemos mostrar que grandes volumes de material superaquecido do manto — várias centenas de quatrilhões de toneladas métricas de rocha — originam-se na fronteira entre o núcleo e o manto e sobem para a superfície da Terra para formar ilhas oceânicas como o Havaí", explicou o professor Matthias Willbold, coautor do estudo, no comunicado da Universidade de Göttingen.

É possível extrair ouro do núcleo da Terra?

As informações são registradas com precisão, pois o ouro não é misturado — cada barra deve ser devolvida ao seu dono original.
As informações são registradas com precisão, pois o ouro não é misturado — cada barra deve ser devolvida ao seu dono original.
Foto: Wikimedia Commons/Autor Desconhecido / Flipar

Embora não seja possível escavar os 2,9 mil quilômetros necessários para chegar ao núcleo terrestre, e o processo de vazamento ocorra a uma velocidade que não permite a exploração comercial dessas riquezas minerais, a recente descoberta muda a compreensão dos fundamentos do planeta.

"Nossas descobertas não apenas mostram que o núcleo da Terra não é tão isolado como se supunha anteriormente", disse Willbold. Segundo o cientista, o achado científico também sugere que ao menos alguns dos metais preciosos usados em setores como o de energia renovável podem ter vindo originalmente do núcleo da Terra.

Com isso, a pesquisa levanta novas questões: será que esses processos também aconteceram no passado? E de que forma eles ajudaram a moldar o funcionamento interno do nosso planeta?

"Nossas descobertas abrem uma perspectiva totalmente nova sobre a evolução da dinâmica interna do nosso planeta", concluiu Messling.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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