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Os planos da Volkswagen para enfrentar uma das maiores crises da sua história

26 ago 2026 - 08h36
(atualizado às 09h07)
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Resumo
A Volkswagen enfrenta uma grave crise devido à concorrência chinesa, aos altos custos na Alemanha e ao atraso nos elétricos. Para recuperar a competitividade, a montadora prepara uma reestruturação drástica que prevê o corte de até 100 mil empregos, redução na produção e o fechamento inédito de fábricas locais. O plano Target Vision 2030 busca viabilizar a empresa, mas enfrenta forte oposição de sindicatos e do governo da Baixa Saxônia.

Sob pressão da concorrência chinesa e dos altos custos na Alemanha, montadora amplia reestruturação e admite que fábricas podem deixar de ser viáveis.A direção da Volkswagen realiza nesta semana reuniões extraordinárias com os trabalhadores em meio a um programa inédito de corte de custos, que inclui relatos de até 100 mil demissões e o possível fechamento de várias fábricas de automóveis na Alemanha.

Sede da montadora em Wolfsburg, onde diretoria da Volkswagen se reúne com funcionários para anunciar mudanças
Sede da montadora em Wolfsburg, onde diretoria da Volkswagen se reúne com funcionários para anunciar mudanças
Foto: DW / Deutsche Welle

A indústria automobilística alemã enfrenta uma profunda crise estrutural devido a intensa pressão dos concorrentes chineses, transição para os veículos elétricos, aos custos mais elevados de produção, entre outros desafios.

Como a maior montadora da Europa em volume de vendas, a Volkswagen é a empresa mais exposta ao excesso de capacidade em suas fábricas alemãs, aos altos custos fixos e à dependência da China.

Os trabalhadores estão particularmente preocupados com a forma como a reestruturação foi comunicada até agora, algo que representantes classificaram como "desastroso".

Nove reuniões separadas serão realizadas, começando na próxima terça-feira (01/09) na sede da Volkswagen, em Wolfsburg. Também haverá encontros em outras unidades, incluindo Emden, Zwickau, Braunschweig e Hannover, antes do fim da semana.

Os trabalhadores já haviam concordado com cerca de 50 mil cortes de postos de trabalho, principalmente por meio de programas de desligamento voluntário. Mas a direção agora acredita que será necessário cortar outros 50 mil empregos.

Por que a Volkswagen optou por cortes tão drásticos?

O presidente-executivo da montadora, Oliver Blume, tem enfatizado que a Volkswagen está em uma situação "mais do que crítica" e que as medidas adotadas até agora não são suficientes para restaurar a competitividade. "Somos grandes demais. Isso muitas vezes nos torna lentos demais e complicados demais", disse aos funcionários em uma entrevista publicada na intranet da empresa na semana passada.

Com quase 630 mil funcionários, a Volkswagen tornou-se mais inchada do que suas concorrentes ao longo de décadas, após optar por controlar mais etapas da produção, incluindo componentes e software, ao mesmo tempo em que incorporava rivais como Skoda, Porsche, SEAT e Bugatti.

A montadora também demorou a fazer a transição para os veículos elétricos justamente quando concorrentes chineses ganhavam espaço, provocando uma forte queda nas vendas em seu antigo principal mercado, a China.

Blume alertou que a Volkswagen atualmente produz em excesso cerca de meio milhão de veículos por ano na Europa.

Embora o fechamento de fábricas na Alemanha seja considerado uma última alternativa, Blume afirmou que a administração "não consegue atualmente enxergar uma forma de elas permanecerem lucrativas na década de 2030".

Outras montadoras também criticaram os elevados custos operacionais da Alemanha. O CEO da Mercedes-Benz, Ola Källenius, afirmou, por exemplo, no mês passado que há uma diferença de custos de 70% entre as operações da empresa na Hungria e na Alemanha.

Que reação é esperada dos trabalhadores?

Espera-se que Blume enfrente uma reação dura dos funcionários da Volkswagen, considerados alguns dos trabalhadores mais bem pagos da indústria automobilística mundial graças ao poder e à influência dos sindicatos e dos conselhos de trabalhadores.

Depois de já ter aceitado os planos anteriores de reestruturação da Volkswagen, Christiane Benner, presidente do sindicato IG Metall, afirmou que os trabalhadores "estão levando outro tapa na cara".

Durante a reunião com funcionários em Wolfsburg, na terça-feira, a presidente do conselho de trabalhadores da Volkswagen, Daniela Cavallo, disse que a "confiança" em Blume e na diretoria executiva "foi abalada", mas "ainda não de forma irreparável".

No mês passado, o conselho de supervisão da Volkswagen, que reúne acionistas e representantes dos trabalhadores, rejeitou a segunda rodada de propostas de redução de custos.

A situação é ainda mais complicada porque a Volkswagen tem participação do estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto. Segundo relatos da imprensa alemã, o estado se recusou a aprovar os planos.

"A Baixa Saxônia é um estado do setor automotivo... e deve continuar sendo", afirmou na segunda-feira Olaf Lies, governador do estado. "Agora, o importante para mim é que encontremos soluções conjuntas."

Como a Volkswagen pretende voltar aos trilhos?

Blume disse ao jornal Bild am Sonntag no último fim de semana que elaborou "o maior plano de transformação da história do Grupo Volkswagen".

Seu plano "Target Vision 2030" pretende reduzir pela metade a linha de modelos da Volkswagen e cortar despesas administrativas, especialmente na Alemanha. A montadora também reduzirá sua meta global de produção, que atingiu o pico de cerca de 11 milhões de veículos em 2018, para 9 milhões por ano no futuro.

Diante do aumento da concorrência chinesa, das tarifas impostas pelos Estados Unidos, da geopolítica e da burocracia regulatória, Blume alertou que a direção da Volkswagen precisa "partir do pressuposto de que os riscos vão piorar em todo o mundo".

A maior parte das montadoras globais enfrenta dificuldades para reagir à inundação dos mercados por veículos elétricos chineses, à crescente imprevisibilidade dos mercados e à pressão cada vez maior das regras da União Europeia para atingir emissões líquidas zero, que incluem multas para quem não cumprir as metas de emissões.

Blume afirmou ao jornal que os próximos anos serão "decisivos" para determinar quais montadoras permanecerão viáveis. Segundo ele, embora a Volkswagen tenha alcançado uma margem operacional sólida de 3,8%, os lucros não são suficientes para investir em novas tecnologias, novos produtos e manter as instalações da empresa.

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