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Com preços em disparada, população iraniana já sente o impacto das novas sanções dos EUA

Os Estados Unidos anunciaram na segunda-feira (24) novas sanções contra o Irã. Embora Washington ainda não tenha divulgado quando as medidas entrarão em vigor nem quais países serão atingidos, seus efeitos já começam a ser sentidos em Teerã. A Casa Branca aposta no aumento da pressão econômica sobre um país que convive há décadas com restrições internacionais. Nesta quarta-feira (26), o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou que os EUA não conseguirão "nada" com a nova ofensiva econômica.

26 ago 2026 - 08h25
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Resumo
As novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos agravaram a crise no Irã, onde a inflação já superava 70%. Com medidas que atingem também parceiros comerciais, a população sofre com a disparada de preços, escassez de matérias-primas e risco de aumento nos combustíveis. Embora o governo iraniano minimize os impactos e prometa resistência, a crise amplia a pressão social em meio ao fechamento estratégico do Estreito de Ormuz e aos quase seis meses de conflito entre os dois países.

Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã, e informações da AFP

No Irã, a inflação já estava em 70%, enquanto a dos produtos de consumo diário chegava a 130%. Quase seis meses após o início da guerra entre Washington e Teerã, a economia iraniana segue em deterioração.

O anúncio das novas sanções americanas, em meio a quase seis meses de guerra entre os dois países, agrava ainda mais o cenário econômico, afirma Alireza, proprietário de uma grande loja de lâmpadas no bairro de Laleh-zar, no centro da capital, região que reúne centenas de estabelecimentos especializados em iluminação e cabos elétricos.

"Por causa dessas sanções, o preço das nossas lâmpadas halógenas, sejam elas iranianas ou importadas, aumentou 30% em apenas três dias. Suspendemos as vendas. Comprávamos alumínio e aço para fabricar nossos produtos, mas agora esses materiais desapareceram do mercado. Chegamos a pagar antecipadamente, mas os fabricantes informaram que as vendas foram interrompidas", relata.

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou uma nova rodada de sanções chamadas "secundárias". Diferentemente das medidas anteriores, elas não atingem apenas o Irã, mas também seus parceiros comerciais em setores como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo. O objetivo declarado é "asfixiar economicamente" o país.

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (26) que as novas pressões econômicas dos Estados Unidos contra a República Islâmica não afetarão o país, segundo a mídia local.

"Com as medidas previstas pelos órgãos econômicos do governo, os Estados Unidos não conseguirão nada com sua pressão econômica neste momento, assim como não conseguiram nada durante a guerra", declarou Pezeshkian, citado pela agência de notícias Isna.

"Todo mundo está sob pressão"

O impacto é ainda mais severo para as classes média e baixa, afirma Ali, sapateiro no norte de Teerã. "Todos os produtos que compro para trabalhar dobraram de preço em apenas dois meses. Em dois meses, não em dois anos", afirma.

O mesmo ocorre com os produtos do dia a dia. "No que diz respeito à vida cotidiana, todo mundo está sob pressão. Meu pai recebe uma aposentadoria de 20 milhões de tomãs (cerca de R$ 510). Desse total, 18 milhões são gastos todos os meses apenas com medicamentos. O governo precisa pensar na população e ajudá-la. As pessoas, especialmente as mais pobres, estão sendo esmagadas pela situação", alerta.

Nesse cenário, o governo estuda aumentar o preço da gasolina, uma medida considerada de alto risco em um país onde reajustes dos combustíveis já provocaram protestos em larga escala no passado.

Corrida aos postos de combustível

Com receio de uma crise de abastecimento em consequência das novas sanções impostas por Washington, motoristas enfrentavam filas nos postos de combustível de Teerã já na terça-feira (25). As autoridades também anunciaram uma rara redução das cotas de gasolina em vigor há anos, além da aplicação de tarifas mais altas para quem ultrapassar os limites estabelecidos.

Na televisão estatal iraniana, o ministro da Economia, Ali Madanizadeh, previu na segunda-feira "uma nova derrota" para Washington. Segundo ele, Teerã dispõe de um "plano de dois anos" para neutralizar os efeitos das sanções, embora não tenha revelado detalhes.

Motoristas enfrentam longas filas em um posto de gasolina na capital iraniana após o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos e a redução das cotas de combustível impostas pelas autoridades, em 25 de agosto de 2026.
Motoristas enfrentam longas filas em um posto de gasolina na capital iraniana após o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos e a redução das cotas de combustível impostas pelas autoridades, em 25 de agosto de 2026.
Foto: RFI

Estreito de Ormuz segue no centro da crise

No centro do conflito está o estratégico Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo antes da guerra. A passagem permanece praticamente fechada por Teerã há quase seis meses, provocando uma disparada nos preços do petróleo e aumentando a pressão sobre Donald Trump nos Estados Unidos, às vésperas das eleições legislativas de novembro.

O Irã descartou qualquer retorno à situação anterior ao conflito no estreito.

Nesta terça-feira, os ministros das Relações Exteriores do Irã e de Omã discutiram um acordo-quadro para estabelecer um "corredor temporário" de navegação na região e realizar uma operação de desminagem, segundo um comunicado conjunto. O chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, afirmou esperar um anúncio em breve.

Mercados apostam em redução das tensões

Os mercados receberam positivamente as novas sanções, avaliando que elas reduzem a possibilidade de retomada das hostilidades militares. O barril do petróleo Brent, referência internacional, voltou a ser negociado abaixo de US$ 90 na terça-feira.

Apesar disso, um novo petroleiro foi atingido por um "projétil desconhecido" enquanto navegava próximo à costa de Omã, informou durante a madrugada a agência marítima britânica UKMTO.

Desde o início do conflito, 68 incidentes foram confirmados pela Organização Marítima Internacional (OMI) no Golfo Pérsico, no Golfo de Omã e no Mar da Arábia, o equivalente a um incidente a cada dois dias e meio. A UKMTO classificou 47 deles como ataques.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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