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O perigo invisível dos SUVs: por que veículos altos são mais letais para pedestres

Abramet publica diretriz que alerta sobre o risco de morte 44% maior em atropelamentos por SUVs e picapes

9 mar 2026 - 20h39
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Novas diretrizes da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego revelam que o design frontal elevado de utilitários esportivos potencializa lesões em órgãos vitais. A segurança no trânsito brasileiro ganha um novo e importante alerta com a publicação das diretrizes da Abramet nesta segunda-feira. O documento intitulado "Tolerância Humana a Impactos: Implicações para a Segurança Viária" detalha como a estrutura de SUVs e picapes afeta diretamente a sobrevivência de pedestres. Diferente dos carros de passeio tradicionais, que são mais baixos, esses veículos possuem uma frente alta e rígida que altera a dinâmica do impacto. O médico Flávio Adura, diretor científico da Abramet, explica à Folha que a razão para a gravidade dos acidentes é puramente biomecânica.

SUVs e picapes aumentam em até 44% o risco de morte em atropelamentos
SUVs e picapes aumentam em até 44% o risco de morte em atropelamentos
Foto: Abramet / Perfil Brasil

Em veículos baixos, o choque inicial costuma atingir as pernas, o que projeta a vítima sobre o capô e pode suavizar o impacto. Entretanto, o cenário muda drasticamente com os utilitários esportivos. "Já nos SUVs, o primeiro impacto costuma atingir tórax, abdômen ou cabeça, regiões vitais, o que aumenta muito a gravidade das lesões", afirma Adura. O estudo aponta que cada 10 cm adicionais na altura da frente do carro pode elevar o risco de morte em 22%. Além disso, a massa elevada desses automóveis transfere muito mais energia no momento da colisão.

Riscos de morte e visibilidade reduzida em colisões com SUVs

As estatísticas apresentadas são preocupantes e mostram que a probabilidade de morte é 44% maior quando o atropelamento envolve um SUV em comparação a um carro menor. No caso de crianças, essa vulnerabilidade é ainda mais acentuada, com o risco chegando a ser 82% superior. A visibilidade limitada também é um fator crítico apontado pelo conselho. Veículos volumosos possuem pontos cegos maiores, o que dificulta a visão do motorista durante manobras e conversões. Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, destaca que atualizações recentes de modelos aumentaram o ponto cego em até 60%.

A diretriz da Abramet também aborda a chegada de novas modalidades de transporte, como as patinetes elétricas. O risco de sinistros com esses equipamentos é quase quatro vezes maior do que com bicicletas, resultando frequentemente em traumatismos cranianos. Para o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, o documento é um marco essencial para tratar o trânsito como uma questão de saúde pública. "A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos", afirma o executivo, reforçando que o gerenciamento da velocidade deve ser o pilar de qualquer estratégia de prevenção.

Perfil Brasil
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