Nova York proíbe IA no ensino fundamental por um ano
As escolas públicas de Nova York proibiram temporariamente o uso de IA generativa para cerca de 600 mil alunos do ensino fundamental, de até 14 anos, durante o próximo ano letivo. A medida, a mais ampla dos EUA, visa priorizar a conexão humana e o pensamento crítico enquanto a cidade estuda os impactos da tecnologia e define diretrizes. O plano inclui restrições de tempo de tela e aulas de alfabetização digital, mantendo a liberação para professores e estudantes do ensino médio sob supervisão.
Medida do tipo mais abrangente nos EUA no ensino público vai incluir estudantes até 14 anos, enquanto se estuda a relação dos alunos com a tecnologia.As escolas públicas da cidade de Nova York vão proibir temporariamente que alunos do ensino fundamental utilizem ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa durante o próximo ano letivo, anunciou o prefeito Zohran Mamdani nesta quarta-feira (03/09). A medida é a mais abrangente desse tipo já adotada nos Estados Unidos, segundo autoridades.
A moratória de um ano proíbe o uso de softwares voltados para estudantes até o oitavo ano escolar (entre 13 e 14 anos), afetando cerca de 40 ferramentas educacionais e 600 mil estudantes. Neste período, o governo estudará como as crianças utilizam a tecnologia.
Os chamados "chatbots de companhia", criados especificamente para simular conversas realistas, também serão proibidos para todas as séries.
Já os estudantes do ensino médio (entre 14 e 18 anos) estarão isentos da proibição total. A cidade implementará aulas de alfabetização em IA duas vezes por ano para todos os alunos públicas. Serão lançados programas-piloto que permitirão a alguns estudantes utilizar plataformas selecionadas de IA, sob a supervisão de professores.
Os docentes, por sua vez, continuarão autorizados a usar IA para planejamento de aulas e tarefas administrativas, como organização de calendários.
Conexão humana e pensamento crítico
Ao redor do país, órgãos responsáveis pela gestão da política educacional avaliam os benefícios e os riscos da IA generativa nas salas de aula.
"As crianças precisam de professores e de conexão humana para aprender e se desenvolver," disse Mamdani ao justificar a decisão. "Elas precisam desenvolver habilidades ao lado de seus colegas, construir relações com educadores e enfrentar problemas difíceis por conta própria."
Segundo ele, as escolas da rede pública têm como princípios ensinar os alunos a "fazer perguntas, desafiar pressupostos, examinar premissas e perguntar por quê". "Quando se trata de IA em nossas escolas, temos a obrigação de fazer o mesmo," ele acrescentou.
Los Angeles, o segundo maior distrito escolar dos Estados Unidos, também bloqueia temporariamente ferramentas deste tipo em dispositivos de estudantes de todas as séries, enquanto desenvolve uma política formal para o tema neste ano letivo. Em junho, já haviam sido proibidos dispositivos antes do segundo ano escolar (7 e 8 anos) e estabelecidos limites de tempo de tela, como parte de uma política mais ampla.
O novo plano da cidade também inclui recomendações de tempo de tela: limite de 30 minutos diários para alunos do terceiro ao quinto ano (de 8 a 11 anos) e de 45 minutos para estudantes do sexto ao oitavo ano (de 11 a 14 anos). Está ainda prevista uma revisão municipal das ferramentas de tecnologia educacional para eliminar aquelas consideradas não essenciais para a aprendizagem.
Pelo menos 37 estados já têm algum tipo de orientação oficial sobre IA para escolas, mas ainda não existe um padrão nacional consistente para o letramento nesta tecnologia.
"Perguntas sem resposta"
As reações de observadores do nicho foram variadas. Michael Mulgrew, presidente de uma federação de professores, comemorou os limites para o tempo de tela, mas afirmou que a política de IA "deixa muitas perguntas sem resposta", incluindo como o Departamento de Educação garantirá que as ferramentas adquiridas contem com as salvaguardas adequadas.
Já Josh Golin, diretor-executivo da organização de defesa dos direitos das crianças Fairplay, disse que gostaria de uma moratória mais longa e de mais tempo de preparação antes do início do ano letivo.
Para ele, as plataformas de IA deveriam ser obrigadas a "demonstrar que seus produtos são eficazes para ensinar crianças, que são seguros, que não estão substituindo a interação presencial e que não estão levando a uma disseminação generalizada de fraudes acadêmicas".
"Um ano para avaliar isso está longe de ser suficiente", afirmou. Os cerca de 1 milhão de estudantes da rede pública de Nova York retornam às salas de aula na próxima semana.
ht (DW, Reuters, AP)
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