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Nova fase de operação da PF investiga descontos ilegais em benefícios do INSS; veja detalhes

Nova fase da ação cumpre 31 mandados autorizados pelo STF contra associações e ex-dirigentes suspeitos de desviar bilhões de aposentados e pensionistas

27 mai 2026 - 11h54
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Uma ação conjunta deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União colocou nas ruas uma nova etapa da Operação Sem Desconto. O objetivo é desarticular um complexo e ramificado esquema de desvios financeiros em âmbito nacional.

PF investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). —
PF investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). —
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Perfil Brasil

O foco das apurações recai sobre a inserção de descontos indevidos e sem consentimento diretamente nas folhas de pagamento de aposentadorias e pensões geridas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os relatórios de auditoria indicam que as movimentações fraudulentas ocorreram de forma contínua entre os anos de 2019 e 2024, gerando um prejuízo global estimado que pode alcançar o patamar de R$ 6,3 bilhões. De acordo com informações obtidas junto aos bastidores das investigações pela imprensa, esta fase ostensiva foca no desmantelamento de três núcleos regionais da organização criminosa, cujos alvos estão espalhados por diferentes territórios do país.

"Operação Sem Desconto" da PF

Para conter o avanço das fraudes e preservar o patrimônio das vítimas, as forças de segurança pública cumprem 31 mandados de busca e apreensão, além de executarem oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico por tornozeleira e ordens de bloqueio de bens.

Todas as determinações judiciais foram chanceladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e miram alvos estratégicos localizados no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba. No plano institucional, as frentes de investigação em Brasília concentram-se sobre as atividades das associações Unibap e Abenprev.

Em território paulista, onde foram concentrados nove mandados judiciais, a fiscalização policial mira as sedes das entidades Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Master Prev, Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde (AASAP) e a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (ANDAPP). Paralelamente, os mandados em Pernambuco focam em monitorar a conduta de servidores e ex-servidores da própria autarquia previdenciária federal.

O rol de investigados atingidos pelas medidas constritivas nesta quarta-feira inclui figuras centrais da engrenagem corporativa e operacional do grupo. Entre os principais nomes listados pela equipe de investigação estão Gutemberg Tito de Souza e Zacarias Canuto Sobrinho, apontados como os articuladores intelectuais por trás do gerenciamento das entidades associativas. As apurações também identificaram Cleiton dos Santos Medeiros, Daniel Gerber e Carlos Henrique da Rocha Gonçalves como os operadores e intermediários financeiros responsáveis pela logística interna das contas.

Na liderança das associações privadas, destacam-se Américo Monte Júnior, presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, o dirigente Felipe Macedo Gomes, além de Igor Dias Delecrode, que comanda a AASAP, e Anderson Cordeiro de Vasconcelos. No núcleo técnico de facilitação interna do INSS, os alvos englobam Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo em Garanhuns, e Rogério Soares de Souza, ex-membro da diretoria da instituição e da Superintendência Regional do Nordeste, que possuiria vínculos operacionais com a entidade Abapen.

O modus operandi da organização criminosa, originalmente desvelado durante a primeira fase da operação em abril, consistia em uma cobrança compulsória e camuflada de mensalidades associativas artificiais. Seegundo a PF, o dinheiro era debitado de forma direta do contracheque de beneficiários que jamais haviam solicitado filiação, preenchido fichas cadastrais ou outorgado procurações para tais finalidades. O avanço da Operação Sem Desconto tem provocado um forte impacto nos bastidores do poder, atingindo desde empresários e diretores sindicais até figuras do ambiente político nacional, a exemplo de mandados anteriores de busca direcionados aos deputados Euclydes Pettersen e Gorete Pereira, bem como ao senador Weverton Rocha, que negam peremptoriamente qualquer participação no esquema.

Perfil Brasil
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