Drones ucranianos impedem tráfego de navios russos no Mar de Azov
Estratégia visa impor danos à "frota fantasma" e infraestrutura de petróleo russas e prejudicar fornecimento de combustível às tropas na linha de frente, a fim de forçar Moscou à mesa de negociações.A Rússia foi forçada a suspender o tráfego de navios no Mar de Azov após ataques de drones ucranianos atingirem cerca de 90 embarcações em menos de uma semana.
Drones ucranianos também atacaram alvos no interior da Rússia novamente durante a madrugada deste domingo (12/07), refletindo uma estratégia de longo prazo e mais ampla para interromper a infraestrutura petrolífera russae o fornecimento de combustível para a linha de frente, a fim de forçar Moscou à mesa de negociações.
Uma refinaria na região do Volga, em Samara, localizada a 800 quilômetros da linha de frente, foi atingida e sofreu um incêndio, segundo testemunhas, aumentando as preocupações russas com a diminuição do fornecimento de combustível.
O Estado-Maior das Forças Armadas em Kiev também relatou posteriormente que dez petroleiros e quatro balsas foram atingidos durante a noite no Mar de Azov.
O chefe das forças de drones da Ucrânia, Robert Brovdi, acrescentou que também houve vários ataques a subestações de energia elétrica na Península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia em 2014.
"A humilhação tecnológica do império [russo] continua. Ele cairá por causa da Crimeia", escreveu Brovdi em suas redes sociais. Ele disse que a chamada "frota fantasma" de petroleiros russos, que transporta de maneira ilegal produtos petrolíferos sujeitos a sanções ao redor do mundo, está "diminuindo visivelmente" e não pode mais usar o Estreito de Kerch, que liga o Mar de Azov ao Mar Negro.
Brovdi publicou vídeos capturados pelas câmeras termográficas dos drones, que dão uma ideia dos danos causados. As imagens mostram as aeronaves não tripuladas se aproximando dos petroleiros e os operadores os direcionando para a ponte de comando das embarcações. A transmissão é interrompida no momento do impacto, mas outros drones capturam as explosões, muitas vezes várias em um único navio.
Em uma semana, 90 navios atingidos
O Mar de Azov faz fronteira com a Rússia a leste e com a Ucrânia a norte e sudoeste, embora essas áreas, incluindo a Crimeia, estejam atualmente ocupadas pela Rússia.
Em 6 de julho, drones ucranianos atacaram dois navios-tanque fluviais que deveriam entregar gasolina à Crimeia. Com capacidade de carga de cerca de 7 mil toneladas cada, as embarcações não eram particularmente grandes, mas seriam capazes de suprir 20% do consumo mensal de gasolina da Península, de acordo com o analista militar independente Jan Matveyev.
Desde então, as forças de drones da Ucrânia atacaram 90 embarcações no Mar de Azov, algumas delas várias vezes, segundo Brovdi. Muitas delas são pequenos navios-tanque fluviais pertencentes à "frota fantasma" russa, usada para burlar as sanções ocidentais impostas devido à guerra na Ucrânia.
A tarefa desses navios é transportar combustível para portos no Mar de Azov ou ao longo do Estreito de Kerch, onde é transferido para petroleiros maiores, já que essas embarcações não estão equipadas para enfrentar as águas do Mar Negro.
A Crimeia, a maior base de abastecimento militar russa no sul do país, vem sentindo os efeitos da escassez de combustível há meses. Embora a situação ainda não seja considerada crítica para as forças de ocupação, ao interromper o tráfego marítimo no Mar de Azov, a Ucrânia consegue aumentar ainda mais a pressão.
Táticas de longo prazo
A Ucrânia utiliza drones de médio alcance para alvejar os petroleiros no Mar de Azov. Esses equipamentos carregam menos explosivos do que tecnicamente possível para aumentar seu alcance, o que significa que a força da explosão não é suficiente para afundar um navio.
Mas se a ponte de comando de uma embarcação for danificada, ela fica sem um centro de comando e à deriva no mar. A Ucrânia também tem alvejado rebocadores russos para garantir que a Rússia não consiga trazer os petroleiros de volta ao porto.
Toda a operação faz parte de uma sofisticada tática de longo prazo que visa enfraquecer o inimigo em todas as frentes, utilizando tecnologia de drones.
Na primeira fase, a Ucrânia neutralizou as defesas aéreas russas nos territórios ocupados e na Crimeia. Isso deixou Moscou praticamente incapaz de contra-atacar e permitiu que Kiev investisse sistematicamente contra instalações militares russas e depósitos de combustível.
Drones de longo alcance, como o kamikaze Liutyi, de fabricação ucraniana, têm atacado repetidamente grandes refinarias no interior do país. Com alcance de até 300 quilômetros, esses equipamentos monitoram as estradas que levam à linha de frente e incendeiam não apenas veículos militares, mas também dezenas de caminhões-tanque e depósitos de combustível menores na Crimeia e nas regiões de Donetsk e Lugansk, no leste do país, ocupadas pela Rússia.
O objetivo principal de Kiev é cortar o fornecimento de suprimentos às tropas russas para interromper seus avanços e, eventualmente, forçá-las a recuar.
(DPA, ots)
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