Nações ocidentais pedem que Israel barre expansão de colônias
Declaração conjunta de nove países, incluindo Alemanha e França, acusa Israel de agravar tensões na Cisjordânia e exige fim de ataques de colonos contra palestinos. "Os assentamentos são ilegais", diz o texto.Em declaração conjunta divulgada nesta sexta-feira (22/05), um grupo de nove nações ocidentais lançou duras críticas ao governo israelense e pediu o fim da expansão de colônias judaicas na Cisjordânia. O documento acusa Israel de agravar as tensões nos territórios palestinos ocupados e insta as autoridades a conter a crescente onda de violência dos colonos.
"O direito internacional é claro: os assentamentos israelenses na Cisjordânia são ilegais", afirmaram os líderes do grupo de países intitulado E4, que inclui Alemanha, França, Itália e Reino Unido, juntamente com os governos do Canadá, Noruega, Holanda, Austrália e Nova Zelândia.
"Nos últimos meses, a situação na Cisjordânia se deteriorou significativamente", diz o documento. "A violência dos colonos atingiu níveis sem precedentes. As políticas e práticas do governo de Israel, incluindo uma maior consolidação do controle israelense, minam a estabilidade e as perspectivas de uma solução de dois Estados."
O governo israelense não comentou imediatamente a declaração.
O texto ressalta a indignação em muitos países ocidentais em relação ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, devido à expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada.
O comunicado alerta que a situação no território piorou consideravelmente nos últimos meses e pede à coalizão de Netanyahu que responsabilize os colonos pela violência contra os residentes palestinos e investigue as alegações de abuso por parte das forças israelenses.
As nações ocidentais também afirmaram que os acordos históricos de status quo que regem os locais sagrados em Jerusalém devem ser mantidos e as restrições financeiras à economia palestina devem ser suspensas.
Tensões ameaçam dividir a Cisjordânia
O documento intitulado "Sobre a situação na Cisjordânia" menciona especificamente a chamada área E1, localizada entre Jerusalém Oriental e o assentamento de Maale Adumim, considerada um dos pontos de maior tensão no conflito entre Israel e os palestinos.
As tensões nessa região ameaçam dividir a Cisjordânia em uma parte norte e uma parte sul, tornando mais difícil ou mesmo impossível a criação de um território contíguo para um futuro Estado palestino.
Na declaração, os países alertaram as empresas contra a participação em licitações para projetos de construção na área E1 ou outros projetos semelhantes.
"Elas devem estar cientes das consequências legais e de reputação da participação na construção de assentamentos, incluindo o risco de se envolverem em graves violações do direito internacional", afirma a declaração.
Eles também disseram se opor àqueles, incluindo alguns membros do governo israelense, que defendem a anexação e o deslocamento forçado da população palestina. As nove nações reiteraram seu apoio a uma solução "onde dois Estados democráticos, Israel e Palestina, vivam lado a lado em paz e segurança dentro de fronteiras seguras e reconhecidas".
rc (DPA, Reuters)
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