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União Africana questiona resultado de eleição na RDC

Félix Tshisekedi venceu o pleito com 38,6% dos votos

18 jan 2019
11h56
atualizado às 15h14
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A União Africana manifestou nesta sexta-feira (18) "sérias dúvidas" sobre o resultado das eleições presidenciais na República Democrática do Congo, vencidas pelo opositor Félix Tshisekedi, com 38,6% dos votos.

Opositor Félix Tshisekedi é acusado de ter feito acordo com o presidente Joseph Kabila
Opositor Félix Tshisekedi é acusado de ter feito acordo com o presidente Joseph Kabila
Foto: EPA / Ansa - Brasil

O segundo colocado na apuração, Martin Fayulu (34,8%), também de oposição, denunciou fraudes e acusa Tshisekedi de ter feito um acordo com o presidente Joseph Kabila, que governa o país desde 2001, para chegar ao poder. Fayulu pede uma recontagem manual dos votos.

Reunidos em Adis Abeba, na Etiópia, chefes de Estado e de governo da UA publicaram um comunicado no qual exprimem "sérias dúvidas sobre os resultados provisórios proclamados pela Comissão Eleitoral" e pedem a "suspensão da proclamação da apuração final das eleições", prevista para esta sexta.

O pleito ocorreu em 30 de dezembro, mas o resultado provisório só foi divulgado em 10 de janeiro e causou surpresa em observadores que acompanhavam a eleição. Até a Igreja Católica, que monitorou o processo eleitoral, disse que o resultado não condiz com suas informações.

Essa seria a primeira passagem democrática de poder na RDC, que tem um longo histórico de confrontos interétnicos. Os questionamentos sobre a apuração, no entanto, podem reabrir a espiral de violência no segundo maior país da África.

Tshisekedi é filho de um notório líder de oposição no Congo, Étienne Tshisekedi (1932-2017), mas não tem experiência na política e era relativamente pouco conhecido, tendo vivido por muitos anos na ex-metrópole Bélgica.

As eleições ocorreram de forma pacífica, porém com muitos registros de problemas técnicos. Além disso, 1 milhão dos 40 milhões de eleitores foram proibidos de última hora de participar, em função de uma epidemia de ebola.

O governo chegou a cortar a internet no dia seguinte à votação, para "evitar especulações nas redes sociais". A República Democrática do Congo é um país rico em minérios usados na fabricação de eletrônicos, e muitas minas são controladas por milícias étnicas.

Independente da Bélgica desde 1960, a RDC é governada desde 2001 por Kabila, por sua vez filho de Laurent-Désiré Kabila, que exercia o cargo desde 1997 e foi assassinado em circunstâncias até hoje misteriosas. Seu antecessor, o ditador Mobutu Sese Seko, chefiara o país desde 1965.

Kabila é acusado de perseguir opositores e de ter fraudado as eleições que disputou. Seu segundo mandato terminou em 2016, mas ele passou mais de dois anos adiando sua sucessão.

Ansa - Brasil   
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