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Ucrânia: aprovação de lei sobre idioma russo gera protestos

5 jun 2012 - 15h10
(atualizado às 15h50)
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Uma multidão de ucranianos entrou em confronto com a polícia na capital Kiev nesta terça-feira depois que o partido no poder passou em primeira instância um projeto de lei controverso que torna a língua russa um idioma regional no país. Várias centenas de opositores do projeto de lei marcharam descendo a colina do parlamento e se depararam com um cordão da polícia de choque quando tentavam entrar na Praça da Independência, que está sendo transformada em uma gigante "área de torcedores" para a Euro 2012 a partir desta semana.

Deputados da base do governo da Ucrânia votam um polêmico projeto de lei depois que os parlamentares de oposição boicotaram a sessão e estenderam uma grande bandeira da Ucrânia em seus assentos. Eles protestaram contra a proposta que prevê a expansão do uso do idioma russo a cortes judiciais e hospitais. Manifestantes foram às ruas de Kiev para reclamar do projeto do governo, que tem como objetivo se aproximar do governo da Rússia
Deputados da base do governo da Ucrânia votam um polêmico projeto de lei depois que os parlamentares de oposição boicotaram a sessão e estenderam uma grande bandeira da Ucrânia em seus assentos. Eles protestaram contra a proposta que prevê a expansão do uso do idioma russo a cortes judiciais e hospitais. Manifestantes foram às ruas de Kiev para reclamar do projeto do governo, que tem como objetivo se aproximar do governo da Rússia
Foto: AFP

Eles pisaram em placas oficiais da Uefa e um grupo de homens escalou uma estrutura que sustentava uma tela gigante, em que os espectadores vão ver as partidas de futebol, e desenrolou a bandeira ucraniana. Policiais da tropa de choque empurraram a multidão para trás após confrontos. "Como eles não foram autorizados a montar uma tenda de protesto perto do parlamento, a maioria dos manifestantes decidiu ocupar a zona de torcedores na Maidan Nezalezhnosti (Praça da Independência)", disse Ruslan Sekela, um ativista de um grupo de pressão nacionalista, Nastup.

A questão da língua russa é um assunto delicado na ex-república soviética de 45 milhões de pessoas, cuja língua estatal é o ucraniano, mas um número significativo de pessoas falam o russo como sua língua materna. A Ucrânia está sediando o torneio Euro 2012 junto com a Polônia. As primeiras partidas acontecem na Polônia em 8 de junho e a final será em Kiev.

Os defensores do projeto dizem que uma lei é necessária para atender às necessidades da grande população que fala a língua russa e permitir que seus filhos recebam a educação básica na sua língua materna. Os opositores consideram o uso do ucraniano como um marco da soberania e dizem que a invasão do russo irá manter a Ucrânia na esfera de influência da Rússia. Eles afirmam que o Partido das Regiões, do presidente Viktor Yanukovich, está tentando empurrar o projeto de lei para reconquistar votos nas bases de poder que falam russo a tempo para uma eleição parlamentar em outubro.

A polícia instalou barreiras ao redor do parlamento nesta terça-feira durante a votação, enquanto 6 mil manifestantes, mais ou menos igualmente divididos entre aqueles a favor e contra o projeto de lei, concentraram-se em ruas próximas. Deputados do Partido das Regiões pressionaram para a votação em primeira leitura sem qualquer debate após a formação de um cordão de proteção em torno do líder do parlamento para se antecipar a qualquer interferência da oposição.

No mês passado, os deputados do partido da oposição Batkivshchyna, da ex-primeira-ministra presa Yulia Tymoshenko, impediram que o projeto fosse votado por meio do bloqueio do palanque, levando a uma briga. Tymoshenko diz que a Euro 2012 vai firmar o lugar legítimo da Ucrânia na Europa e seus partidários não devem tentar atrapalhar o torneio para promover sua causa.

O projeto concede o status de língua "regional" ao russo nas regiões que predominantemente falam russo, e será bem recebido em Moscou, onde as autoridades se queixam de que os direitos linguísticos dos falantes de russo na Ucrânia estão sendo violados. O projeto terá uma segunda leitura no final do ano e se tornará lei quando for assinado por Yanukovich.

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