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Turista é barrada na Argentina e passa 12 dias em aeroporto

Aigul Riskaliyeva ficou no terminal aéreo até a Justiça determinar a sua entrada no país

1 mar 2024 - 15h02
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Resumo
Uma mulher do Cazaquistão esteve detida por 12 dias no Aeroporto Internacional de Ezeiza na Argentina, após as autoridades locais classificá-la como 'falsa turista'. O advogado dela deu entrada em três habeas corpus até que conseguir a liberação para sua entrada.
Foto: Reprodução/ InfoBae

Uma mulher do Cazaquistão foi barrada no Aeroporto Internacional de Ezeiza, em Buenos Aires, na Argentina, após ser classificada como “falsa turista”. Aigul Riskaliyeva, de 53 anos, foi até o país para ver a filha e conhecer o neto recém-nascido, mas acabou passando 12 dias dentro do terminal aéreo. 

De acordo com o Tomás Martino, do InfoBae, o caso ocorreu na noite do dia 12 de janeiro, mas ganhou notoriedade nesta semana. Ela veio em um voo que teve escala em São Paulo, e ao chegar no terminal, passou pelo controle de imigração. No local, ela contou sobre a visita à filha, Muldr Abdullayeva. A partir daí é que os problemas começaram.

A data da passagem de volta dela era para 19 de abril, quando ainda vigora um antigo tratado entre a República do Cazaquistão e a Argentina que permite os cidadãos sem visto fiquem até um mês em solo argentino. Outro ponto que foi levado em consideração, que agentes da Direção Nacional de Migrações (DNA) confirmaram ao site, é que a filha dela tinha entrado em território nacional em julho do ano passado e residia ilegalmente. 

Além disso, a mulher já tinha 300 pesos para a viagem turística, quando na verdade tinha consigo 3.000 dólares. Então, ela foi rejeitada pelo país, e a classificou como “falta turista”. "Quando me disseram que amanhã me colocariam em um avião e eu voltaria para Istambul, de onde voei, fiquei atordoada ”, declarou Aigul. 

A tratativa também foi dificultada pela falta de comunicação dela e dos agentes do aeroporto, pois a mulher não falava espanhol. Por longos 12 dias, ela ficou detida no terminal de embarque. 

“Não entendi o que estava acontecendo [...] Minha filha e o marido ficaram no aeroporto até as 5 da manhã. Ligaram para o cônsul do Cazaquistão, através do Ministério do Exterior, na esperança de resolver o assunto, porque não houve motivos para a proibição. Voei 17 mil km para ver minha filha e meu neto, que nasceu em outubro”, afirma. 

No dia seguinte à rejeição, Aigul contatou o advogado Christian Demian Rubilar Panasiuk , que já havia representado três mulheres grávidas, que eram russas,  e passaram por situação semelhante. A defesa entrou com recurso e teve dois habeas corpus negado pela Justiça. No terceiro, alegando “razões humanitárias”, o pedido foi novamente apreciado, e a liberação da mulher foi concedida, no dia 23 de janeiro.

Enquanto estava no aeroporto, a mulher alega que dormiu em bancos, e nos três primeiros dias, não deram alimentação à ela. Um dia antes da liberação, ela precisou ser atendida pela equipe médica do Terminal, que ordenou sua transferência ao Hospital Ezeiza para estudos complementares, pois apresentava “sinais de desidratação”.

“Havia agentes de imigração ao meu lado que controlavam cada passo meu, como se eu fosse uma criminosa”, ressalta. 

Quando o caso de Aigul foi revisto, o tribunal que circunstâncias que levaram a DNA a decidir pela rejeição tinham mudado, uma vez que a mulher já tinha passagem de volta em prazo compatível com o permitido, pois sua filha havia mudado a data de embarque, além do que a parente já havia iniciado os trâmites para obter sua residência de maneira legal. 

“Fui recebida por minha filha, seu marido e meu neto. Ao sair, respirei fundo. Eu não conseguia acreditar que tudo tinha acabado. Sempre pensei que a saúde era o mais importante, mas depois desta situação percebi que a liberdade é mais importante”, afirmou. Ela deve voltar para a casa neste final de semana. 

Fonte: Redação Terra
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