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Trump recua no ataque ao Irã, cita avanço nas negociações e mantém ameaça militar

O presidente norte‑americano, Donald Trump, afirmou na segunda‑feira (18) ter suspendido um ataque previsto para esta terça‑feira (19) contra o Irã, após pedido de líderes do Golfo. Ele disse que negociações "sérias" estão em curso e que aliados veem chance real de acordo para impedir Teerã de obter arma nuclear. Trump, porém, manteve a ameaça de uma ofensiva "total e em larga escala" caso não haja entendimento.

19 mai 2026 - 06h27
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Trump afirmou, em mensagem publicada na plataforma Truth Social, que os Estados Unidos continuam preparados para lançar uma operação militar de grande porte "a qualquer momento", caso não seja alcançado um acordo considerado aceitável por Washington. O presidente não detalhou quais seriam os parâmetros desse entendimento, mas insistiu que o objetivo central é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, tema que há anos domina a relação entre os dois países.

O presidente norte-americano Donald Trump cumprimenta a multidão após desembarcar do Air Force One em 15 de maio de 2026 na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland.
O presidente norte-americano Donald Trump cumprimenta a multidão após desembarcar do Air Force One em 15 de maio de 2026 na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland.
Foto: Getty Images via AFP - ALEX WONG / RFI

Ele disse que o pedido para suspender a operação partiu do emir do Catar, Tamim ben Hamad Al Thani; do príncipe‑herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed ben Salman Al Saud; e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed ben Zayed Al Nahyan. Segundo Trump, esses líderes consideram que as conversas com Teerã avançam e que um acordo seria possível, beneficiando tanto os Estados Unidos quanto os países do Oriente Médio.

Em sua mensagem, Trump afirmou ter instruído o "secretário da Guerra", Pete Hegseth, e o chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas, general Daniel Caine, a suspenderem a operação prevista. Ele disse também ter ordenado que as tropas permaneçam prontas para uma ofensiva de grande escala caso as negociações fracassem. A menção ao termo chama atenção porque, embora o título oficial nos Estados Unidos seja "secretário de Defesa" desde 1947, o governo Trump passou a autorizar recentemente o uso de "secretário da Guerra" como denominação alternativa, sem mudança formal na legislação.

Mais tarde, em conversa com jornalistas na Casa Branca, Trump descreveu uma evolução "muito positiva" nas discussões. Ele afirmou que aliados no Oriente Médio relataram estar "muito próximos" de um acordo que impediria o Irã de obter armamento nuclear. "É uma evolução muito positiva das discussões, mas vamos ver se isso se sustenta ou não", declarou.

Pressão crescente e resposta iraniana

Antes mesmo da publicação de Trump, o Irã havia afirmado estar "plenamente pronto para qualquer eventualidade", em resposta às ameaças feitas pelo republicano no domingo. Na ocasião, Trump disse que "o tempo está se esgotando" para Teerã e que, caso não agisse rapidamente, "não restaria mais nada" do país - declarações que elevaram ainda mais a tensão regional.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano informou na segunda‑feira (18) que enviou uma resposta à nova proposta dos Estados Unidos, sem detalhar o conteúdo. O porta‑voz Esmaïl Baghaï afirmou que as preocupações de Teerã foram transmitidas a Washington por meio do Paquistão, que atua como mediador. Ele reiterou que o Irã "não renunciará em hipótese alguma aos direitos legítimos do povo e do país".

Desde o início do cessar‑fogo em 8 de abril, após quase 40 dias de ataques, negociações vêm sendo conduzidas para tentar avançar em um acordo, mas as posições permanecem distantes, especialmente no tema nuclear. A única sessão formal entre representantes dos dois países ocorreu em 11 de abril, em Islamabad, e terminou sem avanços.

O Irã voltou a exigir o desbloqueio de ativos congelados no exterior e o fim das sanções internacionais que sufocam sua economia.

O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou nas redes sociais que "dialogar não significa capitular" e que o país negocia "com dignidade e autoridade", sem abrir mão de seus direitos.

Baghaï também insistiu no pagamento de reparações pela guerra, considerada por Teerã "ilegal e sem fundamento". Segundo a agência iraniana Fars, Washington exige que o Irã mantenha apenas um único sítio nuclear ativo e transfira seu estoque de urânio altamente enriquecido para os Estados Unidos. A mesma agência afirma que os norte‑americanos se recusaram a liberar "nem mesmo 25%" dos ativos iranianos congelados ou a pagar compensações pelos danos do conflito.

Movimentação no estreito de Ormuz 

A agência iraniana Tasnim informou nesta segunda‑feira (18), citando uma fonte próxima à equipe de negociação iraniana, que os Estados Unidos teriam aceitado suspender temporariamente as sanções ao petróleo durante o período das conversas, algo que Washington não confirmou.

O estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A região tem sido palco de tensões constantes, especialmente desde que a Marinha norte‑americana intensificou o bloqueio aos portos iranianos. A quase paralisação do estreito provocou forte impacto na economia global, elevando os preços internacionais do petróleo.

Na semana passada, o tráfego marítimo aumentou e voltou a níveis próximos da média registrada desde o início do conflito. Entre 11 e 17 de maio, 55 navios transportando matérias‑primas cruzaram o estreito, segundo dados da empresa de rastreamento marítimo Kpler. Na semana anterior, apenas 19 embarcações haviam passado pela região.

Pedágio para cabos submarinos?

O Irã formalizou nesta segunda‑feira (18) a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, responsável pela gestão da passagem. O novo órgão promete atualizações em tempo real sobre o tráfego, mas advertiu que qualquer travessia sem autorização será considerada ilegal. Países ocidentais e a União Europeia rejeitam a ideia de controle iraniano sobre o estreito, defendendo a liberdade de navegação.

Ao mesmo tempo, os Guardiões da Revolução - força militar ideológica do regime - ameaçaram cobrar pelo uso dos cabos submarinos que passam pela região. Eles afirmaram que qualquer interrupção nesses equipamentos poderia causar prejuízos de "centenas de milhões de dólares por dia" à economia global. As declarações aumentam a pressão em meio às novas rodadas de negociação.

Para Teerã, o estreito de Ormuz continua sendo um instrumento estratégico central, capaz de afetar diretamente o fluxo de energia e, por consequência, a estabilidade da economia global.

Irã teria preservado 70% de suas capacidades balísticas

Nesta semana, o New York Times e o Washington Post explicaram, em investigações separadas, que a República Islâmica conseguiu preservar parte de seus estoques de mísseis e de seus lançadores. Apesar dos ataques norte-americanos e israelenses, o Irã teria conservado uma parte substancial, cerca de 70% de suas capacidades balísticas e de lançamento, concluíram o NYT e o Washington Post com base em fontes dos serviços de inteligência.

Apesar dos danos comprovados em cerca de 30 bases de lançamento e entradas de túneis, o Post destaca que esses danos não significam o desaparecimento do programa balístico iraniano.

Para Nicholas Carl, pesquisador do Critical Threats Project de Washington, "os iranianos vão, no curto prazo, reconstruir parte de sua força de mísseis, mas os Estados Unidos desmontaram alguns dos elementos fundamentais mais críticos de que eles precisam".

"Após a guerra dos doze dias", continua ele, "os iranianos iniciaram um programa com o objetivo de aumentar seu estoque de mísseis de 2.000 para 3.000 unidades, para alcançar cerca de 10.000 até 2028. Os Estados Unidos e Israel realmente impediram o Irã de atingir seu objetivo número um no início desta guerra: uma saturação de disparos de mísseis todos os dias."

Destruir definitivamente as capacidades balísticas iranianas seria muito difícil, consideram muitos analistas. Entre as razões estão a dispersão dos locais, as infraestruturas subterrâneas e o uso de lançadores móveis.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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