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Trump afirma que acordo provisório com Irã para encerrar guerra "acabou" após ataques iranianos

8 jul 2026 - 07h11
(atualizado às 07h53)
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta ‌quarta-feira que um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã "acabou", depois que Teerã realizou novos ataques a bases norte-americanas no Golfo.

Em uma escalada de hostilidades que provocou uma forte alta nos preços do petróleo, o Irã informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit, após forças norte-americanas atingirem alvos iranianos em resposta a ataques contra navios-tanque no ⁠Estreito de Ormuz.

Os ataques minaram ainda mais um acordo de cessar-fogo já frágil e reduziram as esperanças ‌de transformar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo de paz permanente para encerrar a guerra, iniciada com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra ‌o Irã em 28 de fevereiro.

Questionado, antes de uma cúpula ‌da Otan na Turquia, se o memorando de entendimento havia acabado, Trump disse: "É uma ⁠pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles."

"Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes", declarou ele a repórteres em Ancara. "Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles."

Embora Trump tenha, em alguns momentos, recuado de ameaças feitas contra o Irã, os preços do petróleo dispararam e as bolsas caíram após seus comentários mais recentes.

A ‌retomada das hostilidades também aumentou as preocupações com a segurança no Estreito de Ormuz. Dados de navegação ‌mostram que pelo menos quatro navios-tanque ⁠de petróleo e gás ⁠retornaram em vez de tentar atravessar a via navegável, uma rota de abastecimento vital.

IRÃ E EUA TROCAM ACUSAÇÕES

A ⁠Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou na quarta-feira que havia ‌atacado instalações militares dos EUA ‌no Barein e no Kuweit e que derrubou um drone norte-americano MQ-9 que tentava interferir na operação. Os EUA haviam realizado anteriormente novos ataques militares e revogado uma licença que permitia ao Irã vender petróleo, em resposta a ataques contra três navios-tanque no estreito.

O Comando ⁠Central dos EUA informou que mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela IRGC estavam entre os alvos atingidos em uma operação que, segundo o comando, visava impor um custo elevado ao Irã pelos ataques à navegação, em violação ao cessar-fogo.

"A agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a ‌liberdade de navegação", afirmou o Comando Central em um comunicado.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse a repórteres, antes da cúpula da aliança, que os novos ataques dos EUA contra o ⁠Irã eram "absolutamente necessários".

A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, declarou posteriormente na rede social X: "As trocas de disparos entre os EUA e o Irã complicam ainda mais as negociações — já tensas — para encerrar a guerra. Os ataques do Irã ao Barein e ao Kuweit são inaceitáveis."

O alto comando militar conjunto do Irã, Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, condenou os ataques dos EUA classificando-os como um "ato flagrante de agressão", ameaçou com uma "resposta esmagadora" e alertou que Teerã não permitirá a interferência dos EUA na gestão do estreito.

Um importante negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo de cessar-fogo. Ele citou não apenas os mais recentes ataques militares norte-americanos, mas também a renovação das sanções ao petróleo, violações relacionadas aos "ajustes" iranianos no Estreito de Ormuz e ataques israelenses contra o Líbano.

"A era da intimidação e da extorsão acabou", disse Qalibaf em uma publicação no X. "Não cederemos."

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