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Trump acusa Irã de não respeitar acordo no Estreito de Ormuz e diz que ação é 'desonrosa'

Enquanto isso, ataques de Israel no Líbano continuam e chegam a mais de 300 mortes. Nesta quinta-feira, Netanyahu, anunciou negociações com Beirute.

9 abr 2026 - 18h23
(atualizado às 22h33)
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Donald Trump
Donald Trump
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Quando os Estados Unidos e Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas na noite de terça-feira (7/4), a trégua foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz — rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial e que estava parcialmente bloqueada desde o início da guerra.

Mas, segundo os EUA, o acordo não tem sido respeitado.

No início da noite desta quinta-feira (9/7), o presidente Donald Trump fez uma publicação nas redes sociais acusando o Irã de fazer um "trabalho péssimo" e até mesmo "desonroso" em relação à passagem de navios no Estreito de Ormuz.

"Esse não é o acordo que temos!", afirmou.

Mais cedo, em uma outra publicação, o presidente americano advertiu o Irã após relatos de que o país estaria "cobrando tarifas de petroleiros que passam pela rota".

"É melhor que não esteja — e, se estiver, é melhor parar imediatamente", afirmou Trump.

Desde que o cessar-fogo foi anunciado, surgiram relatos conflitantes sobre o que exatamente foi acordado entre os dois países.

O governo iraniano afirma que a trégua nos bombardeios incluía o Líbano, e que os ataques aéreos lançados por Israel em Beirute desde quarta-feira (8/4) "violam flagrantemente" o acordo.

Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques já deixaram mais de 300 mortos e 1.000 pessoas feridas.

O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou a situação como um "massacre" e seu governo declarou a quinta-feira um dia de luto em memória das vítimas.

Os EUA, por sua vez, negam ter negociado um cessar-fogo com o Irã que incluía o Líbano. A mesma alegação é feita por Israel.

Diante dos bombardeios, a mídia iraniana divulgou, na quarta, que o Estreito de Ormuz estava fechado, e que petroleiros pararam de passar pela rota. Inicialmente, os EUA disseram que a informação era falsa.

Nesta quinta-feira (9/4) contudo, o Irã afirmou que a rota estava aberta, mas com restrições de passagem. A coordenação do tráfego marítimo estaria sendo feita pela Guarda Revolucionária.

O BBC Verify confirmou que pelo menos nove navios passaram pelo importante estreito ao longo do dia.

Pessoas fazendo resgates no meio dos escombros no Líbano
Pessoas fazendo resgates no meio dos escombros no Líbano
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Nesta quinta, Trump fez uma série de publicações na rede social com ameaças ao Irã caso o acordo não seja totalmente cumprido.

"Os tiros começarão, maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu", afirmou.

"Todos os navios, aeronaves e militares dos EUA, com munição, armamento e tudo o mais que for apropriado e necessário para a perseguição e destruição letal de um inimigo já substancialmente enfraquecido, permanecerão em suas instalações no Irã e arredores até que o acordo real seja totalmente cumprido."

"Foi acordado, há muito tempo, e apesar de toda a retórica falsa em contrário, que não haverá armas nucleares e o estreito de Ormuz permanecerá aberto e seguro. Enquanto isso, nossas grandes Forças Armadas estão se reabastecendo e descansando, ansiosas, na verdade, por sua próxima conquista. A América está de volta!"

Após Trump dizer que Israel iria reduzir os ataques em Beirute, Netanyahu comunicou que não há "cessar-fogo" no Líbano
Após Trump dizer que Israel iria reduzir os ataques em Beirute, Netanyahu comunicou que não há "cessar-fogo" no Líbano
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Enquanto isso, em entrevista ao programa Today, da BBC, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, disse que o Irã enviou uma mensagem ao Salão Oval na noite anterior, dizendo que "não se pode ter tudo".

"Não se pode pedir um cessar-fogo e depois aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas às quais o cessar-fogo se aplica, mencionar o Líbano, e então seu aliado [Israel] simplesmente inicia um massacre."

Ele acrescentou que os EUA "devem escolher" se querem guerra ou paz. "Eles não podem ter as duas coisas ao mesmo tempo."

Questionado se o Irã vai se retirar das negociações caso os ataques israelenses continuem, ele afirmou que o país "está muito focado no bem-estar de todo o Oriente Médio".

Ele ainda foi questionado se o Irã pedirá ao seu aliado militante, o Hezbollah, que pare de disparar foguetes contra Israel a partir do Líbano. Khatibzadeh respondeu que o acordo inclui o Líbano e que o Irã e seus aliados estavam dispostos a "aceitar o cessar-fogo".

O ministro afirmou que o Irã "garantirá a segurança da passagem" pelo estreito de Ormuz, mas a reabertura só ocorrerá "depois que os Estados Unidos de fato retirarem essa agressão", aparentemente referindo-se aos ataques de Israel ao Líbano.

Netanyahu anuncia negociações com o Líbano

Com a retomada de bombardeios no Líbano nesta quinta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou que seu gabinete incie negociações com o Beirute "o mais rápido possível".

Segundo Netanyahu, as conversas terão como foco "desarmamento do Hezbollah" — partido político islâmico xiita e grupo paramilitar apoiado pelo Irã — e o "estabelecimento de relações pacíficas" entre Israel e o Líbano.

Pouco depois do anúncio de Netanyahu, Donald Trump, disse, em entrevista à NBC News, que Israel vai "reduzir" os ataques contra o Líbano antes das próximas negociações entre Irã e EUA.

"Falei com o Bibi e ele vai baixar o tom. Acho que também precisamos ser um pouco mais discretos", afirmou.

Horas depois, contudo, o primeiro-ministro israelense divulgou uma mensagem aos moradores do norte do país, afirmando que "não há cessar-fogo no Líbano".

"Continuamos atacando o Hezbollah com força e não vamos parar até restabelecer a sua segurança", diz o comunicado publicado pelo gabinete do primeiro-ministro.

Ele emitiu uma ordem de evacuação de moradores de vários subúrbios do sul de Beirute, após anunciar que planeja novos ataques contra a "infraestrutura militar" do Hezbollah.

Netanyahu reiterou que os objetivos de Israel é desarmar o Hezbollah e "garantir um acordo de paz histórico e duradouro entre Israel e o Líbano".

Nesta quinta, Israel afirmou ter matado Naim Qassem, líder do Hezbollah desde 2024, em um dos seus ataques. O grupo ainda não confirmou a informação.

Ataques no Líbano se intensificaram na quarta-feira; Irã afirma que cessar-fogo está sendo violado
Ataques no Líbano se intensificaram na quarta-feira; Irã afirma que cessar-fogo está sendo violado
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A guerra entre Israel e Hezbollah

Autoridades libanesas afirmam que mais de 1.700 pessoas foram mortas desde que Israel lançou sua mais recente campanha no Líbano, em março. Israel alega que suas operações visam enfraquecer o Hezbollah e alcançar o que chama de "objetivos militares restantes".

A guerra começou com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, o que provocou retaliação de Teerã contra os aliados dos EUA no Golfo e dos grupos apoiados pelo Irã — o Hezbollah no Líbano e os ohuthis no Iêmen — contra Israel.

Em resposta, Israel começou a atacar o Hezbollah e chegou a ordenar que suas tropas ocupassem grandes partes do Líbano.

No ataque de quarta-feira, classificado pelas autoridades como um dos mais intensos desde que o Hezbollah entrou no conflito, áreas densamente povoadas do centro de Beirute foram atingidas.

Safa Bleik, enfermeira e coordenadora da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF), estava no Hospital Rafik Hariri, em Beirute, quando os ataques aconteceram.

"Os primeiros pacientes chegaram com graves traumatismos cranianos, com fragmentos de vidro, metal e escombros alojados em seus corpos. Muitos estavam inconscientes. Alguns morreram logo após a chegada", disse ela.

Houve relatos de vítimas no Vale do Bekaa, no leste, e nas regiões de Nabatieh, Sidon e Tiro, no sul.

Na quinta-feira, Israel continuou seus ataques, afirmando ter matado "mais de 70 terroristas". O país nega ter como alvo civis.

Benjamin Netanyahu disse que continuará a atacar o Hezbollah "onde quer que seja necessário, até que restabeleçamos a plena segurança dos residentes do norte".

As Forças de Defesa israelenses também disseram que o Hezbollah lançou cerca de 30 foguetes contra o norte de Israel, sem relatos de feridos ou danos.

*Esta reportagem está sendo atualizada

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