Tropas russas são acusadas de tortura sexual contra civis nas regiões ocupadas da Ucrânia
Em meio às discussões sobre um possível plano de paz para encerrar o conflito na Ucrânia, especialistas independentes designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU denunciaram que a Rússia está utilizando a tortura sexual como parte de uma política deliberada e sistemática de intimidação contra civis nas áreas ocupadas desde o início da invasão.
Em meio às discussões sobre um possível plano de paz para encerrar o conflito na Ucrânia, especialistas independentes designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU denunciaram que a Rússia está utilizando a tortura sexual como parte de uma política deliberada e sistemática de intimidação contra civis nas áreas ocupadas desde o início da invasão.
Os especialistas, que não falam oficialmente em nome da ONU, mas atuam sob mandato do órgão, informaram nesta quinta-feira (21) que um dossiê foi enviado ao governo russo documentando dez casos de civis ucranianos — quatro mulheres e seis homens — que foram submetidos a práticas de tortura enquanto estavam em território ocupados pela Rússia. Os relatos são chocantes: todas as vítimas sofreram choques elétricos repetidos, inclusive nos órgãos genitais, além de espancamentos, chutes, vendas nos olhos, simulações de afogamento e execuções falsas.
"Essas alegações separadas, que capturam experiências extremamente cruéis, são apenas uma pequena amostra de um padrão mais amplo e bem documentado", afirmou Alice Jill Edwards, relatora especial da ONU sobre tortura. Ela destacou que os abusos foram altamente sexualizados, incluindo estupros, ameaças de estupro e outros comportamentos depravados. "Está cada vez mais claro que a política de tortura da Federação Russa na Ucrânia envolve crueldade sexualizada, inclusive contra civis", acrescentou.
Intimidar e controlar civis
As práticas descritas foram registradas em regiões como Kherson, Kharkiv e Zaporíjia, onde os especialistas afirmam que a tortura é usada para intimidar, instaurar o medo e controlar a população civil. "A Federação Russa está utilizando a tortura como ferramenta para controlar os civis nos territórios ocupados da Ucrânia", reforçou Edwards.
Além das denúncias, os especialistas exigem que o governo russo forneça explicações sobre as alegações específicas contidas no dossiê e sobre as medidas adotadas para prevenir a tortura e a violência sexual por parte de militares, agentes de inteligência e pessoal de detenção. Uma das mulheres vítimas permanece detida na Rússia, e os especialistas lançaram um apelo urgente por sua libertação imediata.
A relatora também lembrou que uma regra fundamental do direito internacional humanitário estabelece que civis devem ser protegidos em tempos de guerra. "A Rússia parece ter abandonado completamente essas normas. É hora de que seja responsabilizada por essas práticas ilegais e que todos os Estados com influência sobre ela exerçam maior pressão", concluiu.
As denúncias se somam a outras já registradas por organismos internacionais, como a Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH), que recentemente condenou a Rússia por múltiplas violações dos direitos humanos em território ucraniano. O cenário descrito pelos especialistas reforça a gravidade da crise humanitária nas regiões ocupadas e levanta novas preocupações sobre a responsabilização internacional por crimes de guerra.
(com AFP)