Risco de novos deslizamentos ameaça cidade na beira de precipício na Itália
Situação 'sem precedentes' em Niscemi já forçou evacuação de 1,5 mil pessoas
Uma porção da cidade de Niscemi, no sul da Itália, corre o risco de desmoronar a qualquer momento, em uma situação definida como "sem precedentes", enquanto mais de 1,5 mil pessoas evacuadas ainda não sabem se poderão voltar para casa.
Deslizamentos no último domingo (25) deixaram dezenas de imóveis pendurados na beira de um precipício, e a situação continua ativa, com risco alto de novos desmoronamentos devido à grande presença de água no subsolo.
"Temos em Niscemi uma situação sem precedentes. Eu vi pessoalmente uma localidade que arrisca desmoronar diante de um vazio enorme", declarou o governador da Sicília, Renato Schifani, em entrevista à emissora SkyTg24. "Estudaremos um plano urbanístico de reconstrução parcial daquela estrutura, mas distante do deslizamento", acrescentou.
Enquanto isso, a premiê Giorgia Meloni visitou a cidade nesta quarta-feira (28), se reuniu com autoridades municipais e regionais e sobrevoou de helicóptero a zona atingida pelo desmoronamento.
Segundo fontes ouvidas pela ANSA, a primeira-ministra assegurou que o governo vai agir "de maneira célere" e prometeu disponibilizar recursos assim que receber uma fotografia completa dos danos. Meloni também disse que deve voltar a Niscemi dentro de duas semanas para "tomar decisões mais detalhadas", de acordo com comunicado do Palácio Chigi.
Premiê Giorgia Meloni sobrevoou área afetada por desmoronamentosO desastre ocorreu em meio à passagem do ciclone Harry pela Sicília e atingiu as margens do planalto sobre o qual fica Niscemi, criando um precipício de cerca de quatro quilômetros de extensão e 20 metros de profundidade.
As imagens de prédios, casas e automóveis pendurados na borda do barranco rodaram o mundo nos últimos dias, e 1,5 mil pessoas foram evacuadas de seus lares. Boa parte delas encontrou abrigo com amigos e familiares, mas centenas de moradores foram alocados em um ginásio esportivo.
Segundo Salvo Cocina, dirigente da Defesa Civil siciliana, é muito provável que todos os imóveis em uma faixa de "50 a 70 metros" a partir da beira do precipício sejam arrastados para baixo.
Centenas de alunos estão sem aulas devido ao fechamento de cinco escolas situadas na chamada "zona vermelha", onde há risco de novos deslizamentos a qualquer momento.
Já o Ministério Público de Gela abriu uma investigação por suspeita de desastre culposo e danos seguidos de deslizamentos, porém ainda não mira nenhuma pessoa em específico.
"O deslizamento de Niscemi não nasceu hoje, ele tem uma história. Tentaremos entender se poderiam ter sido adotadas contramedidas para impedi-lo e se isso não foi feito, ou se foi feito algo que o agravou", explicou o procurador Salvatore Vella. "Um pedaço da cidade está escorregando para o vale", acrescentou ele, que disse estar "impressionado" com a situação.
O município de quase 30 mil habitantes já havia sido palco de um grave deslizamento de terra na mesma região em 1997, quando cerca de 400 pessoas foram evacuadas de suas casas.