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Israel intensifica expulsão de palestinos de Jerusalém Oriental

28 jan 2026 - 11h43
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Em Silwan, em Jerusalém Oriental, ao sul da Mesquita de Al-Aqsa, Kayed Rajabi e seus vizinhos receberam ordens de despejo em favor de uma organização de colonos israelenses que já ocupou partes do bairro palestino.

A casa de Rajabi está rodeada por edifícios que ostentam grandes bandeiras israelenses -- um ‌sinal de que pertencem a colonos que, segundo ele, começaram a comprar casas em 2004 e já obtiveram cerca de 40 edifícios em ‌Silwan, muitos deles através de despejos forçados.

O grupo de colonos Ateret Cohanim se ofereceu para comprar sua posse e a de outros palestinos, disse ele, mas a maioria recusou.

Rajabi disse que estava entre as 32 famílias do bairro que receberam ordem de despejo, e que ele e seus irmãos têm até o final do Ramadã -- meados de março -- para deixar o local, conforme uma ordem da Suprema Corte de ‍Israel que ele mostrou à Reuters.

"Eles querem me expulsar da casa onde nasci, onde meus olhos se abriram para a vida pela primeira vez", disse Rajabi, explicando que sua família morava lá desde 1967 e comprou o terreno de um oficial jordaniano.

Daniel Luria, diretor executivo da Ateret Cohanim, chamou os palestinos em Silwan de "ocupantes ilegais", afirmando que a terra pertencia a judeus ‌iemenitas antes de 1929 e que a retomada do local era uma forma de corrigir uma ‌injustiça histórica. Rajabi afirmou que essa versão é falsa.

A Suprema Corte não respondeu de imediato ao pedido de comentário da Reuters.

Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental, território capturado por Israel na guerra de 1967, para um futuro Estado. Eles afirmam que abandonar suas casas poderia acabar de vez com suas esperanças.

Já o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, de extrema-direita, declarou que o objetivo é "enterrar" a ideia de um Estado palestino.

Israel considera toda Jerusalém sua capital -- um status não reconhecido internacionalmente -- e tem incentivado o assentamento judaico em áreas predominantemente palestinas. As incursões de colonos, por vezes violentas, intensificaram-se desde o ataque do Hamas a Israel, em outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.

Silwan é particularmente controversa devido à sua proximidade com a Mesquita de Al-Aqsa, um antigo foco de tensões entre israelenses e palestinos.

Rajabi disse que a Ateret Cohanim lhe ofereceu um cheque em branco para ir embora, oferta que ele recusou. "Eu não venderia nem um grão de terra para eles. Eles me disseram: 'Coloque o valor que quiser e estamos prontos para pagar'", disse.

O palestino disse que algumas pessoas no bairro venderam suas casas, mas que a maioria das famílias se recusou.

Luria afirmou que a Ateret Cohanim ofereceu indenização aos moradores de Silwan por deixarem a cidade. "Isso faz parte da concretização de um sonho sionista", disse ele sobre a compra das casas em Silwan.

Inúmeras resoluções do Conselho de Segurança da ONU apelaram a Israel para que interrompa todas as atividades ‌de assentamento. No entanto, sucessivos governos israelenses dizem que os assentamentos são cruciais para a segurança do país. Se os palestinos se recusarem a sair, a polícia armada entra para os expulsar e escavadeiras são usadas para demolir suas casas.

Rajabi disse que, com os altos preços dos aluguéis em Jerusalém, ele não sabe para onde sua família irá.

"As pessoas vão viver nas ruas", acrescentou.

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