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Reuniões em Chipre sobre reconstrução de Gaza foram 'produtivas', diz administração palestina do enclave

A entidade palestina encarregada de administrar provisoriamente a Faixa de Gaza considerou as discussões em Chipre "altamente produtivas", após dois dias de reuniões que terminaram nesta quarta-feira (1º). O objetivo foi avançar os planos de reconstrução do território destruído pela guerra contra Israel, que teve início em 7 de outubro de 2023.

2 jul 2026 - 10h52
(atualizado às 11h24)
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Rami El Meghari, correspondente da RFI em Gaza, com agências

Os encontros reuniram "especialistas e conselheiros" do "Conselho da Paz" criado pelo presidente americano, do gabinete do Alto Representante para Gaza, Nikolai Mladenov, e do Instituto Tony Blair. Eles integram o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado no âmbito do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pôr fim à guerra em Gaza e reconstruir o enclave após o conflito.

Os participantes abordaram os esforços para "aliviar o sofrimento" dos habitantes, os planos de reconstrução, segurança e governança, além de um mecanismo destinado a garantir transparência e prestação de contas aos doadores internacionais.

O comitê reafirmou seu compromisso com o plano de 20 pontos do presidente americano e indicou que continua pronto para assumir suas responsabilidades em coordenação com o "Conselho da Paz". As novas etapas de implementação das propostas serão anunciadas "quando as condições adequadas estiverem reunidas", mas nenhum calendário foi definido.

O pacote de medidas apresentadas por Trump para encerrar a guerra desencadeada em 2023 pelo ataque do movimento islamista Hamas contra Israel foi validado pelo Conselho de Segurança da ONU e permitiu um cessar-fogo precário em outubro de 2025.

A segunda fase prevê, em particular, uma retirada israelense progressiva de Gaza, o desarmamento do Hamas e o envio de uma força internacional de estabilização, medidas que já foram anunciadas e discutidas, mas nunca se concretizaram.

O Hamas se declarou favorável à presença dessa força em Gaza, mas exige que ela não interfira nos assuntos internos do território, que o movimento controla desde 2007. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou no fim de maio que o Exército ampliasse seu controle sobre 70% do território. Israel e Hamas se acusam quase diariamente de violar o cessar-fogo no território devastado.

Moradores acompanham jogos da Copa do Mundo em um café da Faixa de Gaza; conflito e dificuldades de acesso à eletricidade e à internet afetam o cotidiano no enclave. Imagem ilustrativa.
Moradores acompanham jogos da Copa do Mundo em um café da Faixa de Gaza; conflito e dificuldades de acesso à eletricidade e à internet afetam o cotidiano no enclave. Imagem ilustrativa.
Foto: RFI

Moradores temem pelo futuro

"Temos muito mais medo do que antes. É horrível ter de abandonar a própria casa", conta uma moradora. "No começo, ainda era possível se movimentar dentro de um perímetro razoável. Mas agora permanecemos perto de casa. Nem sequer podemos ir ao vilarejo vizinho. Estamos ansiosos. Não podemos viver normalmente. A ameaça é permanente. Ouvimos o som dos disparos sem saber de onde vêm", relata Mohamed el Najjar, ex-prefeito de Maghazi.

Assim como os pescadores que desafiam a morte no mar, Khalil al-Bshiti ainda se aventura pelo enclave. "Minha casa fica a menos de 100 metros do bloco amarelo. Não moro mais lá desde o início da guerra. Mas, quando consigo água, a cada dois ou três dias, vou regar minhas árvores", explica. Os habitantes de Gaza devem circular no perímetro da chamada linha amarela, uma linha de demarcação que surgiu no contexto do plano de cessar-fogo e de paz para Gaza.

Ela é materializada no terreno por blocos de concreto e marcadores amarelos e deveria representar a primeira etapa da retirada das forças israelenses após o cessar-fogo. A linha separava as áreas que permaneciam sob controle militar israelense das áreas onde a população palestina podia circular e viver.

A linha amarela, que é temporária, está se estendendo para o oeste e sendo cercada por fortificações. Trata-se de uma violação do direito internacional, bem como dos termos do plano de Donald Trump.

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