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Promotoria da Alemanha acusa a Ucrânia de envolvimento no ataque ao gasoduto Nord Stream

A Promotoria da Alemanha acusou nesta quinta-feira (2) autoridades ucranianas de terem ordenado a sabotagem dos gasodutos Nord Stream, que ligavam a Rússia à Europa, poucos meses após a invasão russa da Ucrânia.

2 jul 2026 - 10h43
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Na quarta-feira, a Justiça alemã indiciou o primeiro suspeito pelo ataque. Segundo a Promotoria, ele e outros militares "elaboraram, a pedido das autoridades ucranianas, um plano destinado a destruir os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2", informou o órgão em comunicado. Os gasodutos submarinos foram sabotados com explosivos em setembro de 2022.

Imagem de arquivo. O réu ucraniano Volodymyr Zhuravlyov (à direita) aperta a mão de seu advogado, Tymoteusz Paprocki (à esquerda), em uma sala de audiências do Tribunal Regional de Varsóvia, na Polônia, em 17 de outubro de 2025.
Imagem de arquivo. O réu ucraniano Volodymyr Zhuravlyov (à direita) aperta a mão de seu advogado, Tymoteusz Paprocki (à esquerda), em uma sala de audiências do Tribunal Regional de Varsóvia, na Polônia, em 17 de outubro de 2025.
Foto: AFP - WOJTEK RADWANSKI / RFI

O acusado, identificado como Serhii Kuznietsov, foi preso em 21 de agosto de 2025, na Itália, e extraditado para a Alemanha no mês seguinte. Kuznietsov afirmou que até 2023 era comandante do Exército ucraniano e sustentou que estava no país no momento da sabotagem.

Ele responde por "crime de guerra em um ataque contra infraestrutura civil", além das acusações de provocar explosão com o uso de explosivos, destruir infraestrutura e perturbar serviços públicos.

A Ucrânia tem negado sistematicamente qualquer envolvimento, mas não esconde sua satisfação, considerando legítimo qualquer ataque capaz de enfraquecer a capacidade do Kremlin de financiar seu esforço de guerra. Em declarações publicadas na imprensa ucraniana no dia do indiciamento, o presidente Volodymyr Zelensky considerou "prematuro" comentar o caso e afirmou não ter "os detalhes deste processo".

"Acusações distorcidas"

O advogado italiano do acusado, Nicola Canestrini, reagiu ao indiciamento em um comunicado e disse não ter "medo" das acusações, pois um julgamento "demonstrará que uma condenação do acusado está fora de cogitação".

Canestrini criticou duramente a acusação de crime de guerra, ressaltando que ela não constava nos documentos apresentados pela Promotoria para obter a extradição. Segundo ele, o processo incluía apenas acusações relacionadas à sabotagem e à destruição de infraestrutura.

"A acusação mais grave segundo o direito penal internacional foi deliberadamente omitida do mandado de prisão e acrescentada apenas mais tarde", afirmou. Para o advogado, a transferência de Kuznietsov para a Alemanha foi "obtida mediante a apresentação de um conjunto incompleto de acusações".

Segundo a acusação, o suspeito e seus cúmplices, entre eles mergulhadores, o capitão de uma embarcação e um especialista em explosivos, alugaram um veleiro na Alemanha antes de seguir para a ilha dinamarquesa de Bornholm. De lá, o grupo teria instalado cargas explosivas nos dutos e detonado os explosivos, destruindo os gasodutos.

"O objetivo era interromper permanentemente o fornecimento de gás pelos gasodutos e garantir que a Rússia não pudesse mais utilizar as receitas do comércio de gás natural para financiar seu esforço de guerra", destacou a Promotoria.

O Nord Stream 2 não estava em operação no momento da sabotagem. Já o Nord Stream 1 abastecia "cerca de metade da demanda anual de gás natural da Alemanha" antes da invasão russa da Ucrânia, recordou o comunicado.

Críticas ao gasoduto

Moscou elogiou a prisão de Kuznietsov, em agosto de 2025, e exigiu que a investigação identificasse também "os mandantes da operação". Um ano antes, diplomatas russos haviam acusado Washington de ter dado "a ordem" para o ataque.

Mesmo antes da guerra na Ucrânia, Berlim já enfrentava críticas pela construção do Nord Stream, inaugurado em 2011, uma vez que os gasodutos ampliavam a dependência energética europeia em relação à Rússia.

Após a invasão da Ucrânia, a União Europeia foi obrigada a reduzir suas importações de hidrocarbonetos russos, o que provocou uma forte alta nos custos de energia no continente.

A União Europeia não adotou uma posição oficial acusando a Ucrânia pela sabotagem dos gasodutos Nord Stream. A linha predominante em Bruxelas tem sido defender que o caso seja esclarecido por meio das investigações judiciais conduzidas pelos países envolvidos, especialmente a Alemanha.

No plano político, o caso é delicado para a UE porque, se ficar comprovado que agentes ligados ao Estado ucraniano participaram da operação, isso poderá gerar tensões com alguns governos europeus. Ainda assim, até agora, Bruxelas evitou fazer comentários que associem oficialmente o governo de Volodymyr Zelensky à sabotagem.

Com AFP

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