Rebeldes ligados ao Estado Islâmico matam 19 pessoas no leste do Congo, dizem autoridades
Rebeldes supostamente apoiados pelo Estado Islâmico mataram 19 civis em um ataque noturno no leste do Congo, disseram duas autoridades locais nesta segunda-feira, aumentando a insegurança na região rica em minerais.
O ataque, que teria sido realizado pelo grupo Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla em inglês), ocorreu na vila de Mukondo, na província de Kivu do Norte, disse à Reuters Alain Kiwewa, administrador militar do território de Lubero, onde Mukondo está localizada. Ele acrescentou que o número de mortos pode aumentar.
Não houve reivindicação imediata de responsabilidade pela ADF, que também é conhecida como Província do Estado Islâmico na África Central (Iscap, na sigla em inglês). A organização assumiu a responsabilidade por uma série de ataques nos últimos meses -- incluindo um que matou mais de 60 civis durante um funeral, em setembro. A Reuters não conseguiu entrar em contato imediatamente com a ADF para obter comentários.
Os agressores em Mukondo usavam uniformes semelhantes aos do exército congolês, o que lhes permitiu entrar na aldeia sem levantar suspeitas. Em seguida, eles atacaram as pessoas com armas de fogo, facas e cassetetes, disse um pastor local que não quis se identificar por motivos de segurança.
Um líder da sociedade civil da área, Espoir Kambale, também estimou o número de mortos em 19 e disse que outras oito pessoas ficaram feridas. Vinte e seis casas foram queimadas.
"Estamos nos perguntando como os rebeldes puderam vir e nos atacar quando acreditávamos que a aldeia estava bem protegida", disse Kambale. "A população está em pânico. Alguns moradores fugiram para o mato e não retornaram."
A ADF começou como uma força rebelde em Uganda, mas está sediada nas florestas do vizinho Congo desde o final da década de 1990. A organização é reconhecida pelo Estado Islâmico como uma afiliada.
Seus ataques recentes elevaram os temores em relação à segurança no leste do Congo, onde os rebeldes do M23, apoiados por Ruanda, realizaram um grande avanço neste ano, levando o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a tentar negociar a paz.