Putin ordena cessar-fogo de Páscoa, mas Zelensky denuncia 'jogo com vidas humanas'
O presidente Vladimir Putin ordenou um cessar-fogo das tropas russas na Ucrânia durante a Páscoa, neste sábado (19) e no domingo (20), e pediu que Kiev fizesse o mesmo, já que as negociações por uma trégua mais ampla parecem ter estagnado.
O presidente Vladimir Putin ordenou um cessar-fogo das tropas russas na Ucrânia durante a Páscoa, neste sábado (19) e no domingo (20), e pediu que Kiev fizesse o mesmo, já que as negociações por uma trégua mais ampla parecem ter estagnado.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, respondeu denunciando "a tentativa de Putin de brincar com vidas humanas", sem, contudo, deixar clara a posição de seu país sobre a trégua.
A Rússia também afirmou ter reconquistado quase totalmente os territórios ocupados pelas forças ucranianas desde o verão de 2024 na região fronteiriça de Kursk, o que transferiria os combates inteiramente de volta para solo ucraniano.
"Guiado por considerações humanitárias, o lado russo declara uma trégua de Páscoa hoje, das 18h (hora local) à meia-noite, entre domingo e segunda-feira. Dou a ordem de cessar todas as hostilidades nesse período", afirmou Putin em uma reunião com militares transmitida pela TV russa.
"Presumimos que o lado ucraniano seguirá nosso exemplo", acrescentou, ao mesmo tempo em que determinou que suas forças estivessem prontas para uma "resposta imediata e abrangente" caso houvesse "violações da trégua" ou "qualquer ação agressiva" das tropas de Kiev.
Segundo o chefe de Estado russo, a postura ucraniana "demonstrará a sinceridade do regime de Kiev, sua disposição e capacidade de respeitar acordos e participar das negociações de paz para eliminar as causas profundas da crise ucraniana". A Páscoa, uma das celebrações mais importantes do calendário cristão, que comemora a ressurreição de Cristo, ocorre neste domingo, na mesma data para católicos e cristãos ortodoxos.
Tentativas anteriores
Desde o início do conflito, em fevereiro de 2022, já houve duas tentativas de estabelecer uma trégua de Páscoa na Ucrânia. Em abril de 2022, o secretário-geral da ONU, António Guterres, propôs um cessar-fogo, mas a Rússia rejeitou, alegando que daria ao Exército ucraniano a chance de se reagrupar e se rearmar.
Em janeiro de 2023, o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, fez um apelo para que ambos os lados interrompessem as hostilidades durante a Páscoa. A Rússia declarou um cessar-fogo de 36 horas, mas a Ucrânia descartou a proposta como uma "armadilha", e os combates continuaram.
Após o anúncio de Putin, soldados ucranianos entrevistados pela AFP expressaram ceticismo.
"É impossível acreditar que essas pessoas estejam oferecendo qualquer cessar-fogo", disse Dmitri, um soldado de 40 anos em Kramatorsk, no leste da Ucrânia.
Seu colega Vadym concordou, afirmando que aqueles que confiam em Putin "deveriam repensar tudo o que realmente está acontecendo e filtrar suas informações".
Rússia e Ucrânia também realizaram uma troca de 246 prisioneiros de guerra de cada lado, além de 46 soldados feridos que precisavam de tratamento urgente. Esse tipo de intercâmbio tem sido uma das poucas áreas de cooperação entre os dois países.
Impaciência americana
O anúncio da trégua de sábado ocorre em meio à aparente estagnação dos esforços do governo de Donald Trump para resolver o conflito na Ucrânia, o que tem irritado o presidente dos EUA.
Na sexta-feira, Trump ameaçou se retirar das negociações se não houver progresso rápido nas conversas separadas com Kiev e Moscou, conduzidas por seus assessores nas últimas semanas.
No mesmo dia, o Kremlin afirmou considerar "expirada" a moratória sobre ataques a instalações energéticas, anunciada em março por 30 dias. No entanto, sua implementação não estava clara, e Rússia e Ucrânia se acusavam mutuamente de violá-la quase diariamente.
Anteriormente, Trump havia proposto um cessar-fogo completo e incondicional, aceito por Kiev sob pressão de Washington, mas rejeitado por Putin.
Na região russa de Kursk, alvo de uma ofensiva surpresa das forças ucranianas em agosto de 2024, a Rússia anunciou no sábado ter recapturado a vila fronteiriça de Olechnia.
Com essa retomada, apenas Gornal permanece sob controle ucraniano na região.
"A maior parte do território na região onde ocorreu a invasão já foi liberada: 1.260 quilômetros quadrados, o equivalente a 99,5% da área total", afirmou o chefe do Estado-Maior do Exército russo, Valery Gerasimov, em declaração transmitida pela televisão.
Ele também garantiu que as forças russas repeliram as tentativas ucranianas de avançar na região vizinha de Belgorod.
(Com AFP)