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Protestos no Chile deixam 11 mortos; Piñera diz que país enfrenta inimigo poderoso

21 out 2019
15h24
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O número de mortos nos protestos ocorridos durante o fim de semana no Chile subiu para 11 pessoas, informaram autoridades nesta segunda-feira, após um recrudescimento da violência e do vandalismo na capital que levou o presidente Sebastián Piñera a declarar que o país está em guerra contra um inimigo poderoso.

Soldado aponta arma durante protesto contra modelo econômico chileno em Valparaíso
21/10/2019
REUTERS/Rodrigo Garrido
Soldado aponta arma durante protesto contra modelo econômico chileno em Valparaíso 21/10/2019 REUTERS/Rodrigo Garrido
Foto: Reuters

Apesar de seu clamor por um diálogo para se chegar a acordos a respeito das demandas feitas nas manifestações, saques e barricadas continuaram na madrugada desta segunda-feira, em que vigorou um toque de recolher que levou militares e veículos blindados às ruas de várias cidades do país.

Moradores da capital retomaram a rotina parcialmente nesta segunda-feira, mas com restrições nos serviços de transportes e no comércio, em meio aos vestígios das barricadas, que deixaram danos numerosos.

Grandes filas se formaram diante de postos de combustível, assim como em supermercados, mas alguns mercados municipais operavam normalmente.

As manifestações se replicaram em várias outras cidades chilenas, como Valparaíso e La Serena, onde também se impôs o controle militar.

"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada nem ninguém, que está disposto a usar a violência e a delinquência sem nenhum limite, inclusive quando significa perda de vidas humanas", disse Piñera na noite de domingo, em referência aos atos de vandalismo.

O general Javier Iturriaga, encarregado de vigiar a capital durante o estado de emergência e dotado do poder de restringir a liberdade de movimento dos cidadãos, disse taxativamente nesta segunda-feira que não está em guerra com ninguém.

"Sou um homem feliz. A verdade é que não estou em guerra com ninguém", disse, ao ser indagado em uma coletiva de imprensa na qual informou a abertura parcial do comércio e dos serviços.

A governadora da região metropolitana de Santiago, Karla Rubilar, confirmou que, até o momento, há 11 mortos na região em consequência dos incidentes do fim de semana, três vítimas fatais no sábado e oito no domingo.

Em Santiago, as autoridades de transporte disponibilizaram mais ônibus e reabriram parcialmente o metrô após a interrupção total do final de semana. A maioria das escolas e universidades estava fechada, e várias empresas autorizaram seus funcionários a ficarem em casa nesta segunda-feira.

A capital do Chile, um país citado como exemplo de estabilidade econômica e política na América Latina, não era submetida a um toque de recolher há mais de 30 anos, quando ainda vigorava a ditadura do general Augusto Pinochet.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, pediu nesta segunda-feira a abertura de uma investigação independente sobre as mortes.

Em um comunicado emitido por seu gabinete em Genebra, Bachelet fez um apelo por diálogo imediato entre as partes para deter a "retórica inflamatória".

"É essencial que todos os atos que tenham provocado lesões e morte, tanto por parte das autoridades como dos manifestantes, sejam submetidos a investigações independentes, imparciais e transparentes", disse Bachelet, que foi presidente do Chile por dois mandatos.

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