Procuradores de 18 países se reúnem em Lisboa contra o narcotráfico latino-americano
Encontro da UE também visa a combate ao PCC na Europa
Mais de 130 procuradores de 18 países reúnem-se em Lisboa pelo programa El Paccto 2.0 para combater o avanço do narcotráfico latino-americano na Europa. A cúpula foca no rastreamento de fluxos financeiros, recuperação de ativos e no combate a facções como o PCC e suas ligações com máfias europeias. Com o ingresso de Portugal e República Dominicana na rede antimáfia Plataforma Permanente de Palermo, o encontro já resultou na criação de novas equipes conjuntas de investigação internacional.
Mais de 130 procuradores e especialistas de 18 países da América Latina e Europa, além de Angola, em colaboração com a Agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal (Eurojust) e a Procuradoria Europeia (EPPO), se reúnem em Lisboa, Portugal, para rastrear fluxos financeiros e dados para conter o avanço do narcotráfico latino-americano na Europa ? a começar por organizações brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O encontro, que teve início na terça-feira (27), constitui a terceira reunião de coordenação judicial do "El Paccto 2.0", um programa da União Europeia voltado ao combate ao crime organizado transnacional. A iniciativa é organizada em parceria com a Procuradoria-Geral da República de Portugal e com a Direção Nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália.
"Para compreender uma organização transnacional, precisamos reconstruir as conexões entre suas atividades, mesmo quando as informações estão fragmentadas entre as autoridades de diferentes países", afirmou o diretor do programa, o espanhol Javier Samper Orgilés, em suas observações iniciais.
A pauta abrange rotas de tráfico de drogas, novos métodos de lavagem de dinheiro e a recuperação de ativos ilícitos.
Duas sessões são dedicadas a grupos criminosos brasileiros em Portugal e suas ligações com máfias europeias.
O trabalho é coordenado pelo vice-diretor do "El Paccto 2.0", Giovanni Tartaglia Polcini, no que tange ao pilar italiano do programa ? o qual é supervisionado pelo Ministério das Relações Exteriores e executado pela Organização Internacional Ítalo-Latino-Americana (IILA).
Portugal e a República Dominicana aderiram à Plataforma Permanente de Palermo, uma rede de Ministérios Públicos criada em homenagem a Giovanni Falcone - juiz italiano vítima de um atentado em 1992 em meio às investigações contra o grupo mafioso Cosa Nostra - e muito defendida pelo Procurador Nacional Antimáfia da Itália, Giovanni Melillo.
Ao menos 40 reuniões bilaterais realizadas paralelamente ao evento já resultaram na criação de novas equipes conjuntas de investigação.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.